EFE
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Políticas do novo presidente argentino são elogiadas por Vargas Llosa

Mauricio Macri recebeu o prêmio Nobel de Literatura em Buenos Aires; o líder da Argentina também foi elogiado pelo diretor de 'O Segredo dos Seus Olhos'

O Estado de S. Paulo

05 Maio 2016 | 08h45

BUENOS AIRES - O Prêmio Nobel de Literatura e colunista do Estado, Mario Vargas Llosa, elogiou as políticas do presidente argentino, Mauricio Macri, depois de uma reunião na residência oficial de Olivos, periferia norte de Buenos Aires.

O encontro foi fechado à imprensa, mas Macri publicou um vídeo no Twitter, no qual Vargas Llosa elogia o governo, enquanto caminha pelos jardins da casa. "Acho que se respiram ventos de renovação na Argentina que são muito interessantes e muito estimulantes pelo efeito que podem ter sobre o resto da América Latina", disse o escritor peruano, de 80 anos, que está na Argentina para participar da 42ª Feira Internacional do Livro.

"Está-se fazendo um esforço na Argentina para modernizar a política, modernizar a economia, devolver a Argentina a suas conexões com o mundo", disse o escritor sobre a presidência de Macri que tomou posse em 10 de dezembro.

Vargas Llosa também falou dos bruscos ajustes econômicos que pesam sobre os argentinos. "Estou certo de que, passado este primeiro período de sacrifícios, terá efeitos muito benéficos sobre a economia e as instituições do país", comentou Vargas Llosa, em sintonia com o argumento oficial sobre uma melhora na economia para o segundo semestre deste ano.

Em 2009, pouco antes de receber o Nobel, o escritor lançou duras críticas ao governo peronista de centro-esquerda de Néstor Kirchner (2003-2007) e de sua mulher, Cristina Kirchner (2007-2015). Segundo ele, "os dois levaram o país ao caos econômico".

Em 2015, em plena campanha eleitoral na Argentina, o escritor manifestou publicamente seu apoio a Macri com renovadas críticas ao peronismo.

Na sexta-feira, o escritor divulgará seu último livro "Cinco esquinas" na Feira do Livro e, amanhã, dará a conferência "América Latina de cara para o futuro", a convite da Câmara Argentina do Comércio. 

Cinema. O diretor de cinema argentino Juan José Campanella também elogiou o governo Macri. Na quarta-feira 04 ele afirmou que, após a mudança de governo em dezembro do ano passado, a Argentina "é outro país e melhorou notavelmente em muitos sentidos, sobretudo no âmbito das liberdades".

Em uma entrevista à emissora "Radio con Vos", Campanella, que em 2010 ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro por "O segredo de seus olhos", reconheceu sentir-se orgulhoso de ter pedido votos para Macri durante a campanha eleitoral e reiterou que em muitos sentidos o país está "melhor".

"Sei que é duro para os que estão sofrendo", admitiu o cineasta sobre o ajuste econômico efetuado pelo atual governo, mas comparou essas medidas com as do ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), que, lembrou, "desvalorizou o dólar em 300% colocando 20% de pessoas na pobreza de um dia para o outro".

Para o cineasta, a gestão de Macri "não é neoliberal", já que "não está usando o mercado como o último dos juízes", razão pela qual insistiu que o balanço do novo mandato é, até agora, "positivo".

Neste sentido, Campanella aplaudiu o aumento das liberdades individuais nesta nova etapa e felicitou, por exemplo, os novos conteúdos da televisão pública, onde, em sua opinião, "agora você vê até críticas ao governo". /AFP e EFE

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