Político japonês defende declarações sobre prostituição

Depois de fazer polêmicos comentários sobre serviços sexuais durante o período de guerra, o prefeito de Osaka, no Japão, defendeu as próprias declarações na quinta-feira, mas disse que pode ter lhe faltado "sensibilidade internacional".

AE, Agência Estado

17 de maio de 2013 | 02h28

Toru Hashimoto afirmou que sua falta de sensibilidade sobre a percepção americana de prostituição pode ter causado indignação. No início desta semana, ele deixou a entender que as tropas norte-americanas cujas bases estão localizadas no sul do Japão deveriam amparar os estabelecimentos legais de entretenimento adulto para reduzir a criminalidade sexual no local.

Co-líder de um emergente partido nacionalista, Hashimoto também irritou os vizinhos do Japão ao alegar que a prática de guerra do exército japonês de forçar mulheres asiáticas a se prostituírem era necessária para manter a disciplina dos soldados.

Ele afirmou na quinta-feira que a prática foi amplamente utilizada por muitos outros países durante a Segunda Guerra Mundial e que o Japão estava sendo injustamente ressaltado.

O Departamento de Estado dos EUA chamou os comentários de Hashimoto de "ultrajantes e ofensivos".

Historiadores dizem que até 200 mil mulheres vindas, principalmente, da Península Coreana e da China, foram obrigadas a fazer sexo com os soldados japoneses em bordéis militares. Ainda que outros exércitos tenham feito uso de bordéis militares na Segunda Guerra Mundial, o Japão é o único país acusado de escravidão sexual organizada e generalizada.

Os comentários de Hashimoto desencadearam uma onda de indignação nos países vizinhos que sofreram com a agressão do Japão durante a guerra. Os países se queixaram pela falta de reparação pelas atrocidades cometidas durante o período.

Hashimoto disse que não tinha a intenção de retirar qualquer um de seus comentários anteriores. Mas alegou que sua fala poderia parecer inadequada para as pessoas de fora do Japão, com valores diferentes.

"Se há um grande erro que eu cometi pode ter sido a minha falta de compreensão da cultura por trás da indústria do sexo dos EUA. Se você mencionar entretenimento adulto nos EUA, todo mundo pensa em prostituição", afirmou Hashimoto durante um talk-show japonês filmado em Osaka e transmitido na televisão do país. "Eu admito que a minha sensibilidade internacional foi muito pobre quando eu tive de operar além das fronteiras nacionais".

A polêmica começou quando Hashimoto comentou na segunda feira sobre as chamadas "mulheres de conforto" do período da guerra, que tinham de oferecer serviços sexuais para o Exército Imperial do Japão. Além disso, Hashimoto havia dito que, em uma recente visita à ilha de Okinawa, ele sugeriu ao comandante dos EUA que as tropas fizessem uso da indústria legal do sexo.

Mais da metade dos cerca de 50.000 soldados norte-americanos no Japão - sob um pacto de segurança bilateral - estão em Okinawa, onde a criminalidade relacionada com a base militar tem desencadeado um sentimento anti-americano.

Autoridades dos EUA rejeitaram a proposta e os comentários de Hashimoto. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, disse que o tráfico de mulheres para fins sexuais durante essa época foi "uma grave violação dos direitos humanos em enormes proporções".

"Esperamos que o Japão continue a trabalhar com os seus vizinhos para resolver este e outros problemas decorrentes do passado e cultive relacionamentos que lhes permitam ir em frente", disse Psaki a jornalistas.

Hashimoto afirmou na quinta-feira que seus comentários não tinham a intenção de justificar ou encobrir o uso do Japão de prostituição por seus militares durante a guerra. Ele disse também que o Japão deveria pedir desculpas às mulheres caso país tenha as forçado ou não a se submeterem a tais condições. As informações são da Associated Press.

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