Político mexicano diz que Nafta arruinou o México

Héctor de la Cueva, membro da Rede mexicana de luta contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), afirmou hoje que "os Estados Unidos arruinaram o México com o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta)", assinado há 12 anos com esse país e o Canadá. De la Cueva participa em Havana do V Encontro Hemisférico de Luta contra a Alca, em que estão presentes 400 delegados de 36 países. "O que conseguiram impor em meu país é o modelo de livre-comércio, que significou um verdadeiro desastre social e uma perda de soberania impressionante", disse o político à televisão estatal cubana. Segundo de la Cueva, os EUA estão fazendo aos países da América Latina "as mesmas promessas que fizeram ao México, e que se transformaram em tudo o contrário depois de alguns anos". "Os EUA nos prometeram mais e melhores empregos, mais e melhores salários, agora temos menos e piores empregos e salários, tudo o contrário. Os EUA nos prometeram que o Nafta era uma via rumo ao primeiro mundo e, hoje, somos do terceiro, quarto ou quinto mundo", afirmou. "OS EUA nos prometeram que tudo seria melhor, e o campo mexicano é um desastre, o crescimento da migração é um reflexo desse desastre social e econômico causado pela implantação do Nafta", acrescentou. "Por isso é que há tantos mexicanos sem emprego, sem renda, jogados ao desespero e que arriscam suas vidas cruzando a fronteira com os EUA", ressaltou. "Os EUA arruinaram o México com o Nafta, e depois tornam impossível a vida dos que são obrigados a trabalhar lá", disse de la Cueva. O político também afirmou que, não bastassem as conseqüências de 12 anos de vigor do Nafta, "estão negociando um tratado adicional, que chamam de Aliança Para a Segurança e Prosperidade da América do Norte". "Agora, não se trata somente de subordinar economicamente o país, mas de subordinar sua política de segurança ao cuidado da segurança dos EUA", afirmou. No mesmo programa em que o político mexicano fez estas declarações, a socióloga equatoriana Irene León destacou a resistência expressada em seu país contra o tratado de livre-comércio com os EUA. "Vemos que a imposição do tratado de livre-comércio na América Central se fez com militarização e, no Equador, está sendo igual, com uma repressão brutal", denunciou a socióloga. León acrescentou que no Equador "a resistência contra o tratado é verdadeiramente uma questão de vida ou morte para muitos setores, especialmente para o agrícola". "É impossível a esta altura nos países do sul acreditar que as multinacionais tirarão pessoas da miséria. Não fizeram isso, não farão, porque seus interesses são outros", assegurou. "Mas, o país já disse, a resistência está dizendo: não vamos parar, vamos continuar, porque não se trata de um acordo pequeno, se trata de todo um modelo que decidirá o futuro do país, do continente e do mundo", ressaltou. O evento, que se desenvolveu durante três dias no Palácio das Convenções, será encerrado neste sábado.

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