Político muçulmano era o alvo de atentado nas Filipinas

Wahab Akbar pode ter sido morto por ter retirado apoio aos radicais e iniciado participação no governo

Efe,

14 de novembro de 2007 | 09h06

As autoridades filipinas investigam nesta quarta-feira, 14, a autoria do atentado que matou três pessoas no Congresso do país na noite de terça, entre elas o deputado muçulmano Wahab Akbar, já ameaçado de morte anteriormente. O chefe da Polícia metropolitana, Geary Barias, confirmou que o alvo do ataque era Akbar. Ele admitiu que o deputado "tinha muitos inimigos", mas não acusou diretamente nenhum grupo nem afirmou que tenha sido uma vingança dos radicais islâmicos. Akbar apoiara os radicais, antes de mudar de lado e favorecer o retorno das tropas dos Estados Unidos à ilha de Mindanao, no sul das Filipinas. O ministro do Interior, Ronaldo Puno, destacou que a principal linha de investigação é a de um atentado contra Akbar cometido por rivais ou antigos colaboradores. Mesmo assim, os investigadores não descartam o envolvimento do grupo Abu Sayyaf, devido às semelhanças entre o atentado contra o Congresso e outro cometido em 2002 em Zamboanga, que matou três pessoas, entre elas um soldado americano. Em 1991, quando veteranos da Guerra do Afeganistão contra a União Soviética fundaram o Abu Sayyaf, Akbar deixou a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI) e se uniu a eles para estabelecer um Estado islâmico em Mindanao. O grupo é ligado à rede Al-Qaeda, e considerado terrorista pelos EUA e Filipinas. São atribuídos a eles vários dos atentados mais sangrentos dos últimos anos no país. Em 1996, Akbar deixou a Abu Sayyaf para se filiar à legalizada Frente Moro de Libertação Nacional (FMLN), que tinha chegado a um acordo de paz com o governo. Pouco depois, ele foi eleito governador de sua província natal de Basilan, ficando no cargo até 2004. Em 2002, ao ser reincorporado no grupo que apóia a política antiterrorista da presidente, Gloria Macapagal Arroyo, ele passou a apoiar a presença dos soldados americanos em Mindanao, que 20 anos antes tinham retirado suas bases nas Filipinas após quase um século de permanência no país. Nos últimos anos, o ex-guerrilheiro tinha deixado de vestir as roupas tradicionais dos muçulmanos filipinos, mesmo preservando alguns dos costumes tradicionais, como a de estar sempre casado com quatro mulheres. Uma de suas esposas é a atual governadora de Basilan. Outra é prefeita de Isabela, a capital da ilha, enquanto seus familiares e pessoas de confiança dividem o poder no resto dos municípios. Segundo os investigadores, a bomba continha entre cinco e dez quilos de explosivo e foi detonada por telefone celular. O artefato destruiu parte do teto do edifício da Câmara e matou Wahab Akbar e outras duas pessoas, funcionários dos gabinetes dos deputados Henry Teves e Luzviminda Ilagan, que por sua vez ficaram feridos junto com outras cinco pessoas. Cerca de 17 mil policiais continuam em alerta na região metropolitana de Manila desde a terça-feira. O diretor da corporação, general Avelino Razón, comanda as investigações por ordem expressa da presidente. Arroyo anunciou uma recompensa de 5 milhões de pesos (cerca de US$ 116 mil) por qualquer informação que leve a resolver o caso e pediu prudência em relação a boatos sobre a autoria. Há menos de um mês, outra explosão em um centro comercial do distrito financeiro causou 11 mortos e foi de início atribuída a uma bomba e depois a um escapamento de gás. A chefe de Estado enfrenta na Câmara Baixa seu terceiro processo de cassação nos últimos três anos, por desrespeito aos direitos humanos e participar de um escândalo de corrupção no qual seu marido foi envolvido.

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