Reprodução/Twitter
Reprodução/Twitter

Político opositor é assassinado em ato de campanha na Venezuela

Luis Manuel Díaz, do Acción Democrática, foi morto a tiros na noite de quarta-feira em cima do palanque que dividia com Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, opositor condenado a 14 anos de prisão

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 10h53

CARACAS - Um político opositor venezuelano foi assassinado na noite de quarta-feira, 25, por um disparo durante um evento de campanha no qual também participava Lilian Tintori,  mulher de Leopoldo López, líder do partido Voluntad Popular (VP), em Altagracia de Orituco, no centro da Venezuela.

O jovem identificado como Luis Manuel Díaz, secretário-geral do partido Acción Democrática (AD) em Altagracia de Orituco, foi morto por volta das 19h30 locais (22h de Brasília) "por disparo de arma de fogo", informou o secretário-geral do AD, Henry Ramos Allup, através do Twitter. Segundo Ramos Allup, Lilian estava ao lado de Díaz quando ele foi baleado.

O secretário-geral do AD garantiu que os disparos foram feitos de um veículo "por grupos armados" que, segundo ele, fazem parte do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), mas ainda não há informações das autoridades sobre esse incidente. 

Ramos Allup comentou em outra mensagem no Twitter que a violência por parte de "grupos armados e bandos" do PSUV contra militantes, candidatos e eventos de campanha de opositores está "aumentando".

O incidente ocorreu durante um comício de campanha da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) no estado de Guarico, no qual participavam os candidatos da coligação opositora acompanhados de Lilian, mulher de López, líder opositor condenado a quase 14 anos de prisão.

Lilian, que está em uma turnê nacional denunciando abusos contra os direitos civis e divulgando o caso de seu marido, disse que iria dar mais detalhes nesta quinta-feira sobre o "terror, o assédio e a violência que sofremos do regime". "Hoje, eu sofri dois ataques. Nossas condolências à família Díaz."

A oposição denunciou durante os últimos dias pelo menos três ataques durante os eventos de campanha dos candidatos às eleições legislativas e líderes da MUD, vários deles com armas de fogo.

No último domingo, o candidato opositor Miguel Pizarro denunciou que um grupo de encapuzados que, segundo ele, vestiam uma indumentária com referências ao chavismo, atiraram para o alto com armas de fogo para impedir a passagem da caravana opositora que fazia campanha eleitoral em um setor popular no leste de Caracas.

Lilian Tintori denunciou na semana passada uma perseguição quando tentava participar em um ato político em Cojedes (centro). 

Henrique Capriles, ex-candidato presidencial e governador do estado de Miranda, denunciou há duas semanas um ataque contra ele na cidade de Yare cometido por um grupo de pessoas supostamente lideradas pelo prefeito dessa cidade, o chavista Saúl Yánez.

Segundo Capriles, o prefeito governista e um grupo "minúsculo" o recebeu com "pistola em punho e atirando" para impedir sua entrada na cidade que faz parte do estado de Miranda.

O chavismo desprezou essas denúncias e negou sua responsabilidade nesses ataques. O presidente do Parlamento e número dois do chavismo, Diosdado Cabello, chamou ainda na quarta-feira de "montagens" os ataques denunciados recentemente pela oposição. "A nova moda é: grupos armados do chavismo atacaram não sei quem. Esta já conhecemos", disse Cabello em seu programa semanal de televisão. 

A MUD condenou o assassinato de Díaz em um comunicado, no qual responsabiliza o governo do presidente Nicolás Maduro, "por ação e omissão, de qualquer ato de violência na Venezuela".

"A pregação violenta a partir dos mais elevados níveis do Estado é responsável por semear o ódio", afirmou a coalizão opositora, que pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA), às Nações Unidas, União Europeia e até ao Vaticano que "exijam do governo nacional e do PSUV a rejeição pública do uso da violência como arma política".

Os venezuelanos comparecerão às urnas em 6 de dezembro para escolher os 167 deputados de uma Assembleia unicameral, controlada pelo chavismo há 16 anos.

De acordo com várias pesquisas, a opositora MUD lidera as intenções de voto com uma vantagem de 14 a 35 pontos percentuais e tem, pela primeira vez em 16 anos a chance de tirar a maioria na Assembleia dos bolivarianos, mas o presidente Nicolás Maduro afirma ter um "voto firme" de 40%. / EFE, AFP e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.