Olga Maltseva/AFP
Olga Maltseva/AFP

Político russo luta contra homônimos para não perder votos

Candidato de oposição precisa enfrentar sósias para se reeleger em São Petersburgo, em uma tática conhecida pelos que desafiam o partido governista

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 15h00

Boris Vishnevski já conhecia a tática de usar nomes repetidos de candidatos nas cédulas para confundir os eleitores e atrapalhar os opositores na Rússia. Mas ele se surpreendeu ao ver que seus homônimos – não um, mas dois – são também quase idênticos a ele, incluindo a barba e a calvície. 

Conhecido político da oposição, do partido liberal Yabloko, e concorrendo à reeleição para o Parlamento regional de São Petersburgo, Vishnevski viu na cédula seu rosto ao lado de dois outros Boris Vishnevskis, ambos parecendo irmãos gêmeos. 

“Isso tudo é feito para desorientar os eleitores, para que eles confundam o falso com o real e para que, em vez do verdadeiro Vishnevski, eles votem em um dos falsos”, disse o Vishnevski real, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Vishnevski está entre os candidatos que concorrerão a dezenas de cargos, incluindo federais, nas eleições que ocorrerão entre os dias 17 e 19, com quase todos os críticos do Kremlin impedidos de concorrer. O candidato verdadeiro explicou que seus oponentes mudaram de nome e deixaram crescer barbas e bigodes para as fotos, além de terem editado as imagens pelo Photoshop, antes de enviá-las para a comissão eleitoral. 

Ele disse que conhecia pelo menos um de seus homônimos – Viktor Bykov, membro do cada vez mais impopular partido governista Rússia Unida, o mesmo de Vladimir Putin. Em uma imagem oficial usada no site do Executivo de São Petersburgo, Bykov parece ser bem mais novo do que na fotografia de agora. 

Já a respeito do outro oponente, pouco se sabe. Acredita-se que seja Alexei Shmelev, um gerente de vendas de uma empresa da região. Na cédula, a única diferença é o nome do meio, o patronímico: Boris Ivanovich (Bykov) e Boris Genadievich (Shmelev) – o original é Boris Lazarevich.

A identidade de Bykov foi revelada pela primeira vez pelo jornal russo Novaya Gazeta, e um site de notícias de São Petersburgo, posteriormente, publicou uma captura de tela de um documento que supostamente mostra que ele mudou de nome em 3 de julho. 

Vishnevski disse que não sabia as motivações dos dois adversários em concorrer contra ele, mas disse acreditar que eles não se submeteriam a isso “de graça”. No domingo, ele publicou uma foto da cédula eleitoral no Twitter e revelou ontem ter apresentado uma reclamação formal junto às autoridades. Na queixa, ele pediu à Comissão Eleitoral Central que analisasse o assunto. 

Candidatos duplos – dessa vez, triplos – são comuns durante os ciclos eleitorais da Rússia. A crescente onda de oposição ao Rússia Unida e o apoio cada vez maior ao KPRF, o antigo Partido Comunista, aparentemente assustaram o governo de Putin e o incentivaram a nomear os “clones” para desviar votos preciosos em disputas acirradas./COM AFP

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