Políticos bolivianos criticam novo gabinete

Setores políticos e sociais expressaram hoje seu descontentamento em relação às mudanças de ministros decididas pelo presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, porque - alegam - além da redução do Poder Executivo, o novo gabinete não apresentou nenhuma estratégia para sair da crise. Opositores e governistas disseram que exigirão e vigiarão para que os novos ministros realizem mudanças estruturais nos setores político, social e econômico. Sánchez de Lozada deu posse a seus novos colaboradores ontem à noite, com uma redução de 18 para 12 ministérios, numa demonstração de austeridade, depois que uma rebelião social na semana passada, desencadeada por um projeto de criar um imposto sobre os salários, deixou 32 mortos entre civis, policiais e militares. O projeto foi finalmente anulado.O líder dos plantadores de coca, deputado e principal chefe do partido opositor Movimento ao Socialismo (MAS), Evo Morales, afirmou que Sánchez de Lozada tem duas semanas para mostrar o empenho do novo gabinete em promover mudanças."Goni (como é chamado o presidente) sabe o mal que lhe pode acontecer se não atender aos pobres; dependerá de seu novo gabinete evitar mais convulsões sociais", disse Morales, a respeito dos distúrbios sociais da semana passada. Morales também alertou que "a mudança de alguns ministros não significa esquecimento nem impunidade, buscaremos os responsáveis (pela eclosão dos conflitos) dentro do Legislativo". Idêntica opinião expressou o líder da segunda força opositora, a Nova Froça Republicana (NFR), Roberto Fernández. Até mesmo a presidente do Senado, Mirtha Quevedo, do principal partido do governo, o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), afirmou que no Congresso "estaremos vigilantes para que o novo gabinete cumpra as promessas de mudar e inovar as políticas que atendam ao povo", acrescentando que esta é a "decisão do presidente". Já a líder da bancada dos deputados do Movimento Esquerda Revolucionária (MIR), aliado do governo, Elsa Guevara, disse que esperava "uma mudança total, não parcial". Os ministros cujas nomeações foram alvo de maior resistência são os da Fazenda, Javier Comboni, que foi ratificado no cargo, e o da Presidência, Guillermo Justiniano, que antes ocupava a pasta do Desenvolvimento Sustentável e era o chefe da área econômica e social. Ambos são questionados pela poderosa Central Operária Boliviana (COB) por serem os autores do projeto do orçamento nacional para a gestão de 2003, que incluía o depois descartado imposto de 12,5% sobre os salários.A intenção do governo é a de iniciar um diálogo com todos os setores para elaborar um orçamento definitivo mais austero e equitativo, mas "sobretudo participativo". Só não disse quando isto ocorrerá. Morales, da oposição, pediu que sejam facilitadores do diálogo a Defensoria do Povo, a Assembléia de Direitos Humanos e a Igreja católica porque, segundo o legislador, o presidente "perdeu autoridade".

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