Políticos de esquerda das Filipinas são sumariamente assassinados

O governo das Filipinas negou, nesta sexta-feira, seu suposto envolvimento em uma série de assassinatos de ativistas de esquerda. A declaração vem à tona apenas um dia depois de homens armados não identificados terem assassinado o líder de um partido de esquerda no interior do país e de um parlamentar de oposição ter alertado que os assassinatos políticos estão em alta nas Filipinas. Santiago Teodoro, líder do grupo esquerdista Bayan em Malolos, ao norte de Manila, estava com a esposa dentro de seu carro na noite de ontem quando dois homens a bordo de uma motocicleta se aproximaram. Eles emparelharam a moto com o carro e abriram fogo. Teodoro foi morto com um tiro no pescoço, relatou Lucila, sua esposa, numa entrevista à rádio DZRH. "Ouvi um estrondo. Estava distraída e pensei que algum vidro tinha quebrado. Então olhei para o lado e percebi a motocicleta emparelhada. Quando olhei para meu marido, ele já estava sem forças", relatou a esposa de Santiago Teodoro. Uma investigação preliminar da polícia confirmou a versão de Lucila Teodoro. Entretanto, o comando policial ainda não se pronunciou sobre suspeitos. Em outro incidente, homens armados atacaram a residência de uma líder do movimento esquerdista Bayan Muna, associado ao Bayan, na província de Isabela, no norte das Filipinas. Baby Mendiola cuidava do jardim de sua casa no momento do ataque e escapou com vida, disse o oficial de polícia Mario Langkay. "Além do assédio e da repressão existentes contra nós, parece-me que os assassinatos políticos estão sendo retomados", denunciou . Um deputado filiado ao Bayan Munaé, Satur Ocampo, um dos cinco parlamentares esquerdistas que requisitaram proteção especial perante a Câmara dos Representantes em meio a ameaças de prisão. Eles foram acusados de participação num complô supostamente orquestrado no mês passado para derrubar a presidente Gloria Macapagal Arroyo. De acordo com o Bayan Muna, mais de 80 de seus membros foram assassinados pela polícia e pelo exército das Filipinas desde 2001. As autoridades locais, que muitas vezes referem-se ao movimento político esquerdista como a fachada de uma insurgência comunista de 36 anos, negam a acusação. Entretanto, a maior parte dos crimes continua sem esclarecimento. Ignacio Bunye, porta-voz de Arroyo, negou que o governo filipino esteja por trás do assassinato de oposicionistas. Ele prometeu ainda que "casos individuais" seriam investigados e que "a justiça prevaleceria". O grupo humanitário Anistia Internacional alertou na última quinta-feira que as declarações de altos funcionários do governo ligando grupos de esquerda à insurgência poderiam levar a um clima que resultaria em mais assassinatos políticos nas Filipinas.

Agencia Estado,

10 Março 2006 | 16h08

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