Políticos do Iraque temem mandato dos EUA sobre o país

Grupos políticos que disputam o poder no Iraque pós-guerra expressaram a suspeita de que a resolução apresentada pelos Estados Unidos à ONU sobre o futuro do país dará à coalizão anglo-americana um mandato de duração indeterminada sobre o território iraquiano. O Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (CSRII), baseado no Irã e um dos sete grupos que devem formar o núcleo de um novo governo, afirmou que a presença prolongada dos EUA poderá provocar distúrbios em toda a região.Os EUA querem que o Conselho de Segurança da ONU aprove a resolução suspendendo as sanções contra o Iraque e dando às Nações Unidas um papel claramente definido no estabelecimento de um governo democrático. Entretanto, no esboço final dos EUA foi deixado de fora um pedido para o conselho endossar explicitamente a ocupação anglo-americana por 12 meses. Alguns membros do conselho não querem que a ONU legitime os resultados de uma guerra que o órgão mundial não autorizou.Salah Shaikhly, do Acordo Nacional Iraquiano, disse que seu grupo - entre vários que participaram de discussões com o administrador civil dos EUA, Paul Bremer - "teme que ficaremos presos a esta resolução pelo resto de nossas vidas". O xeque Mohammed Mohammed Ali, do Congresso Nacional Iraquiano, concordou que "os aliados não devem permanecer no Iraque por muito tempo". "A legitimidade de qualquer futuro governo deveria vir das Nações Unidas", opinou.

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