Políticos dos EUA discordam sobre fundos para guerra

A Casa Branca e os democratas continuam insistindo em suas respectivas posições em torno da disputa sobre os fundos para a Guerra do Iraque e sobre o estabelecimento de um calendário de retirada, devendo ambas as partes se reunir para debater os temas em três dias.O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, acredita que a disputa entre a Casa Branca e o Congresso em torno dos dois assuntos será concluída com a aprovação das verbas pelos democratas.Em declarações ao programa Face the Nation, da rede de TV CBS, o vice-presidente assegura que não acha "que a maioria dos democratas no Congresso queira deixar as forças armadas dos EUA diante do perigo sem os recursos necessários para que se defendam". Cheney se referiu à disputa entre o presidente George W. Bush e a maioria democrata no Congresso.Bush reivindica que o Congresso aprove uma lei "limpa", incondicional, que dê sinal verde aos cerca de US$ 100 bilhões extras solicitados para custear as guerras no Iraque e no Afeganistão.As duas Câmaras do Congresso aprovaram, cada uma, projetos de lei que vinculam a aprovação dos fundos ao estabelecimento de um calendário para a retirada dos cerca de 150 mil soldados americanos no Iraque. A saída teria de ser concluída até o próximo ano.A versão da Câmara de Representantes prevê que a retirada seja concluída antes de 1º de setembro de 2008. A do Senado, que inclui a retirada em uma medida não vinculativa, reivindica que a saída comece em um prazo de 120 dias e termine antes de 1º de abril.Bush deve se reunir com os líderes democratas do Congresso - a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e o dirigente da maioria no Senado, Harry Reid - na próxima quarta-feira para falar sobre o assunto.A Casa Branca assegura que Bush dirá aos democratas que não tem nenhuma intenção de ceder em sua oposição taxativa ao estabelecimento de um calendário de retirada.Bush afirma que se um projeto de lei sobre os fundos para a guerra for apresentado juntamente com um calendário ou outro tipo de condição, será vetado.VetoOs democratas não contam com a maioria necessária, de pelo menos 67 votos das cem cadeiras do Senado, para reverter o veto.O presidente afirmou no rádio, no sábado, que estabelecer um calendário de saída equivaleria a dar aos insurgentes "a vitória que tão desesperadamente estão buscando".Por outro lado, os democratas pedem que a reunião da quarta-feira sirva para trocar pontos de vista em um diálogo construtivo.As pesquisas indicam que a maioria dos americanos quer o calendário. Quanto a isso, Cheney assegurou que há também uma grande parte que preferiria que os EUA ganhassem.Em declarações paralelas na rede Fox News, o presidente da Comissão do Senado para as Forças Armadas, Carl Levin, deu razão a Cheney. Assegurou que, se Bush vetar o projeto de lei com um calendário, os democratas encontrarão uma maneira de aprovar os fundos para que as necessidades das tropas sejam cobertas.Levin afirmou que os democratas deveriam optar por um novo projeto de lei, no qual, em lugar de calendários, insistissem em que o governo iraquiano cumprisse com uma série de requisitos."Esses requisitos, esperaríamos, teriam certa força para dizer aos iraquianos que acabou o compromisso sem data de expiração, e que têm que cumprir os objetivos que eles mesmos fixaram", declarou o senador democrata.Bush deve dedicar boa parte de suas atividades desta semana à questão dos fundos para as tropas. Na segunda-feira, o presidente deve fazer uma declaração na Casa Branca para reivindicar que o Congresso aprove os fundos de maneira incondicional. Na quinta e na sexta-feira, fará discursos em Ohio e Michigan sobre o assunto.Por sua vez, os legisladores devem começar, nesta semana, o processo de harmonização dos projetos de lei do Senado e da Câmara de Representantes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.