Políticos dos EUA vão a Cuba ver preso

Parlamentares encontram-se com presidente Raúl Castro e com Alan Gross, americano que cumpre na ilha pena de 15 anos de prisão

HAVANA, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h00

Parlamentares dos Estados Unidos confirmaram ter visitado o americano Alan Gross, cuja detenção e a longa pena de prisão em Cuba intensificaram os esforços para se obter uma melhora nas relações entre os dois países. Eles não deram detalhes sobre a situação do americano e o que foi conversado.

A delegação de sete membros liderada pelo senador Patrick Leahy, democrata de Vermont, também se reuniu com o presidente Raúl Castro e outras autoridades do governo cubano.

Leahy disse na quarta-feira que os dois lados "conversaram sobre os persistentes obstáculos e a necessidade de uma melhora das relações", acrescentando que uma reaproximação "é do interesse de ambos os países". O encontro foi coberto também pela imprensa cubana, com uma foto estampada na capa do jornal Granma do senador sorridente ao lado de Raúl Castro.

Leahy e seu colega, o deputado democrata Chris Van Hollen, encontraram-se com o americano preso, Alan Gross, de 63 anos, provavelmente num hospital militar onde ele é mantido desde sua detenção, em 2009. Questionado sobre o encontro com Gross, o senador disse apenas que eles tiveram uma longa conversa.

Alan Gross cumpre uma sentença de 15 anos de prisão por levar ilegalmente para a ilha equipamento de comunicações, dentro de um programa financiado pela agência americana para o desenvolvimento internacional (Usaid, na sigla em inglês). Ele foi acusado de ter instalado conexões ilegais de internet sob o programa, que o governo cubano considera subversivo. Os Estados Unidos sustentam que Gross foi a Cuba simplesmente para ajudar a população a conectar-se à web, como parte de um projeto em favor da democracia.

O senador não falou sobre o estado físico de Gross. O americano perdeu mais de 45 quilos na prisão e sofre de várias enfermidades crônicas.

Ao chegar a Cuba na segunda-feira, o senador afirmou que nada o faria mais feliz do que partir com Alan Gross no mesmo avião, mas acrescentou que isso era muito improvável.

Cuba recebeu a visita de diversas autoridades americanas no decorrer dos anos, incluindo a do ex-presidente Jimmy Carter e do governador do Novo México, Bill Richardson, mas todos deixaram o país de mãos vazias.

O próprio senador Leahy liderou uma delegação similar do Congresso em 2012, tendo encontrado Gross e Raúl naquela visita.

Cuba mostrou interesse em libertar Gross, mas somente se Washington libertar cinco agentes cubanos que cumprem penas de prisão nos Estados Unidos.

Os cubanos foram presos no final da década de 90 por se infiltrar em organizações de exilados de Miami e em bases militares dos EUA. Os agentes foram condenados a penas que variam de 15 anos à prisão perpétua. / AP

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