REUTERS/Juan Medina
REUTERS/Juan Medina

Políticos e servidores catalães retornam ao trabalho em meio à incertezas

Na sexta-feira, premiê Mariano Rajoy assumiu o controle direto da Catalunha, destituindo o governo separatista e convocando uma eleição para dezembro; cotações dos principais bancos da região abriram nesta manhã em forte alta na Bolsa de Madri

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 08h14
Atualizado 30 Outubro 2017 | 10h35

MADRI - O controle da Espanha sobre a Catalunha será testado nesta segunda-feira, 30, quando políticos e servidores civis retornarem ao trabalho em meio à incerteza sobre se aceitarão um regime direto imposto pelo governo central de Madri para impedir uma tentativa de independência da região.

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Milhares de defensores de uma Espanha unificada encheram as ruas de Barcelona no domingo, em uma das maiores demonstrações de força até agora de uma chamada maioria silenciosa, que vinha apenas assistindo enquanto líderes regionais pressionavam pela independência da Catalunha.

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O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, assumiu o controle direto da região na sexta-feira, destituindo o governo separatista e convocando uma eleição para o dia 21 de dezembro.

Entretanto, alguns dos membros mais proeminente do governo catalão, incluindo seu líder deposto, Carles Puigdemont, e o vice-presidente, Oriol Junqueras, disseram que não aceitarão a medida e afirmaram que apenas a população da Catalunha pode demiti-los.

A maior parte dos servidores civis catalães começaram a trabalhar às 9h desta segunda-feira (6h em Brasília) e, se muitos não comparecerem ou decidirem não aceitar instruções, haverá dúvidas sobre a estratégia do governo espanhol em colocar um ponto final na crise que tem prejudicado o crescimento econômico do país e aumentando a instabilidade social.

O Executivo espanhol deu "algumas horas" para que os membros do governo regional da Catalunha, destituídos na sexta-feira, possam recolher seus objetos pessoais dos escritórios oficiais e sair deles em seguida, afirmou o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido.

O objetivo é recuperar a normalidade institucional o mais rápido possível com a "maior discrição" e o princípio de "intervenção mínima", explicou ele em entrevista à emissora Antena 3. Zoido também destacou que, "em nenhum momento", o Executivo central planejou a eliminação dos Mossos d'Esquadra, a polícia regional catalã.

Um dos integrantes do governo catalão destituído apareceu em seu gabinete nesta segunda-feira. "No gabinete, exercendo as responsabilidades que nos foram dadas pelo povo da Catalunha", disse no Twitter Josep Rull, responsável por Infraestruturas, Obras Públicas e Transportes do agora destituído governo de Puigdemont. 

Caso algum membro do Executivo destituído se apresente, o governo central determina que seja acompanhado por um policial até seu gabinete para recolher seus pertences. Se resistir a deixar o local, o agente terá de registrar a ocorrência e informar a Justiça. Zoido pediu sensatez a Rull, segundo disse à imprensa, porque isso é o que lhe "encarregou o povo da Catalunha".

 

Economia

As cotações dos principais bancos da Catalunha, CaixaBank e Banco Sabadell, abriram em forte alta de 4% nesta manhã na Bolsa de Madri. A ação do CaixaBank, terceiro maior banco da Espanha, operava em alta de 4,4%, enquanto a do Sabadell avançava 4,1%. A Bolsa estava em alta de 1,44%, o que indica o retorno da confiança depois que o governo central assumiu o controle da região. / REUTERS, AFP e EFE

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