Políticos franceses vêm em massa ao fórum de Porto Alegre

Não há dúvida de que a campanha eleitoral francesa passa por Porto Alegre. E enquanto a esquerda européia reserva lugares nos vôos para o Brasil, a direita francesa mostra interesse pelo Fórum Econômico e Social que até pouco tempo atrás esnobava, preferindo marcar presença na reunião de Davos, na Suíça, que este ano, excepcionalmente, será em Nova York.Deputados da chamada "direita francesa", do RPR, UDF e DL que integram a delegação francesa, chefiada pelo presidente da Assembléia Nacional, já se preparam para viajar na próxima semana para a capital gaúcha. E o próprio presidente Jacques Chirac designou um dos principais conselheiros, Jerôme Bonnafont, para representá-lo em Porto Alegre.O jornal conservador Le Figaro abriu a edição desta sexta-feiracom a manchete "Todos em campanha em Porto Alegre". Isso porque, além dos representantes da direita, a capital gaúcha assistirá a um desfile de personalidades da esquerda francesa: seis ministros, três candidatos à presidência da República, conselheiros do primeiro ministro Lionel Jospin, o primeiro-secretário do PS, François Holande, e o novo prefeito de Paris, Bertrand Delanoé, que participa de programa organizado pelo PT, ao lado de outros prefeitos de capitais européias e latino-americanas, entre eles os petistas Tarso Genro e Marta Suplicy.Dessa forma, toda classe política francesa estará representada nessa meca da antiglobalização, um "fenômeno que não pode ser ignorado", nas palavras do deputado Serge Lepeltier, secretário-geral e número dois do RPR, Reunião Para a República, o partido do presidente.Nesta sexta-feira, no Palácio do Eliseu, os assessores de Jacques Chirac juravam que a presença de um conselheiro do presidente em Porto Alegre nada tem a ver com a campanha eleitoral francesa, mesmo se no ano passado o chefe de Estado ignorou solenemente o evento.O presidente se preocupa com os desvios da globalização e alguns de seus aspectos nefastos, afirmam colaboradores do governo, lembrando que ele já tomou várias iniciativas para discutir o controle da globalização. Agora, os principais conselheiros de Chirac já convidaram Bernard Cassen de esquerda, presidente da Attac, associação que defende a cobrança de taxa sobre o fluxo de capitais especulativos, para um debate no Palácio.

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