Políticos iraquianos minimizam importância de relatório

Um assistente próximo do premier Nouri al-Maliki procurou minimizar nesta quarta-feira a importância da ameaça de redução do apoio americano ao governo iraquiano, que surge com o pedido da comissão de alto escalão por mudanças diplomáticas e militares que permitam a retirada da maior parte das tropas até o começo de 2008.Partes do relatório da comissão foram obtidos pela AP em Washington antes do documento ser divulgado ao público, e proporciona uma visão sombria do Iraque após quase quatro anos da invasão americana e da deposição de Saddam Hussein. O relatório pede para a administração tentar engajar adversários dos EUA como a Síria e o Irã na diplomacia como parte do esforço para estabilizar o país - apesar de George Bush ter afirmado anteriormente que ele não iria negociar com nenhum dos dis países. A comissão também recomendou aos EUA a redução de "apoio econômico, político e militar" para o Iraque se o governo de Bagdá não conseguir fazer progressos significativos no sentido de garantir a sua própria segurança. O relatório também insta o governo a aumentar o número de tropas de combate e outras unidades que dão apoio às tropas iraquianas. Muitas das recomendações haviam sido feitas anteriormente por vários meios de comunicação e surgem agora sem causar surpresa, mas os líderes iraquianos mostraram poucos sinais de urgência. O assessor de al-Maliki disse que o país tem reservas de petróleo o suficiente para sobreviver a qualquer redução na ajuda econômica americana e que as forças iraquianas estão bem em seu caminho no sentido de assumir as operações de segurança no país. O assessor, que falou em condição de anonimato pois não está autorizado a falar com a imprensa, afirmou pensar que as recomendações do grupo levariam a uma "revisão" da estratégia no Iraque, mas não uma "mudança drástica". Falah Shanshal, parlamentar xiita pertencente ao bloco leal ao clérigo anti-EUA Muqtada al-Sadr, disse que os iraquianos que devem resolver seus próprios problemas e que o país pode seguir sozinho. "O Iraque exporta petróleo, somos um país rico, e não precisamos de tal apoio (econômico)", disse a repórteres. "O Iraque é capaz de formar seu próprio exército sem ajuda de outros."Alguns militares enviados ao Iraque não são tão otimistas em relação ao preparo do Exército iraquiano, e lhes agrada a idéia de focar o papel do Exército dos EUA no treinamento, apesar de serem céticos sobre a efetividade de tal medida. "Eles não são realmente habilidosos. Eles se sentam e bebem chai (chá) em vez de fazer suas patrulhas. Eles têm medo do que precisa ser feito", afirmou o soldado Diego Cabezas, 20 anos. O proeminente político curdo Mahmoud Othman afirmou pensar que os EUA querem reduzir gradualmente seu apoio ao governo iraquiano para pressioná-lo a aumentar os esforços no sentido de acabar com as milícias e controlar a violência sectária."Essa é uma política de dois lados, pode ser negativa pois de acordo com a Convenção de Genebra, os ocupantes são responsáveis pelo país em todos os aspectos e devem assumir a responsabilidade, não abandoná-la", disse antes da divulgação do relatório. "Reduzir o apoio ao governo iraquiano poderia levar a resultados negativos, mas por outro lado, pode levar o governo iraquiano encarar a realidade e fazer algo para encerrar com o caos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.