Políticos na mira de Plantu

Chargista da 1ª página do francês 'Le Monde' vem ao Brasil e lança olhar sobre as eleições

João Paulo Charleaux, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Poucas armas abatem o narcisismo dos políticos com um tiro tão certeiro quanto o humor, especialmente quando aliado ao olhar crítico do jornalismo. Há 38 anos, quando publicou sua primeira charge no jornal francês Le Monde, o cartunista Jean Plantu faz valer essa máxima. De caneta em punho, ele persegue presidentes, ministros e líderes religiosos com desenhos que desnudam o que nenhum poderoso gostaria de mostrar.

Plantu visitou a redação do Estado na sexta-feira, quando veio ao Brasil participar de uma série de debates e exposições de desenhos políticos ao lado dos colegas brasileiros Angeli, Chico Caruso e Cássio Loredano. A mostra ainda pode ser vista em São Paulo, no Sesc Consolação.

Em poucos minutos de conversa, Plantu puxou uma folha de papel sulfite e, com uma canetinha hidrográfica, desenhou um de seus alvos preferidos - o presidente francês, Nicolas Sarkozy, cuja popularidade despencou para apenas 32% esta semana, quando mais de 3 milhões de trabalhadores saíram às ruas para protestar contra a política previdenciária do governo. Na ilustração, o líder francês inveja a popularidade de seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado pela candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff.

Mas o traço que ataca também une. Em 1992, Plantu conseguiu, pela primeira vez na história, que o líder palestino Yasser Arafat e o então presidente israelense, Shimon Peres, pusessem suas assinaturas no mesmo documento - um desenho. Nele, os dois líderes de povos que se atacam há séculos, marcados por profundas divisões territoriais, religiosas e culturais, repartiram uma ilustração. Arafat fez a bandeira de Israel. Peres, a palestina. No meio, uma fronteira pontilhada. Pelo menos ali, a paz venceu.

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