Ivan Sekretarev/AP
Ivan Sekretarev/AP

Políticos opositores são impedidos de participar de funeral de Nemtsov

Além de russos, políticos da União Europeia também foram barrados da cerimônia; centenas se despedem do político liberal 

O Estado de S. Paulo

03 Março 2015 | 08h48

MOSCOU - Diversos políticos da União Europeia (UE) e opositores russos foram proibidos de participar nesta terça-feira, 3, do funeral de Boris Nemtsov, líder opositor liberal russo assassinado na sexta-feira em uma ponte a poucos metros do Kremlin. Um político polonês teve seu visto negado e um deputado da Letônia precisou retornar após chegar ao aeroporto de Moscou.

O líder opositor russo Alexei Navalny havia pedido para deixar a prisão, onde cumpre 15 dias de pena, para comparecer ao funeral, mas o pedido não foi concedido.

Enquanto políticos são barrados, centenas de pessoas, muitas delas com flores e velas, fizeram fila na manhã em Moscou para se despedir de Nemtsov.

O caixão de Nemtsov foi colocado em uma sala do Centro Sakharov e o público teve acesso ao local até às 14 horas (8 horas pelo horário de Brasília). Em seguida, ocorre um cortejo fúnebre até o cemitério Troekurovskoye, em um subúrbio no leste de capital.

O vice-primeiro-ministro russo, Arkadi Dvorkovich, foi ao Centro Sakharov para prestar suas condolências e homenagem à memória do dirigente liberal.

Vários canais de televisão fazem transmissões ao vivo do local. O político opositor liberal pertencia ao grupo dos jovens reformistas que chegaram ao poder na Rússia depois da desintegração da União Soviética e chegou a ser o número dois do governo em 1997, na época do presidente Boris Yeltsin.

O Comitê de Instrução da Rússia, que ofereceu uma recompensa de três milhões de rublos (US$ 50 mil) por "informação valiosa" que ajude a esclarecer o caso, trabalha com várias hipóteses para o assassinato. Os investigadores não descartam que o crime seja uma tentativa de desestabilizar a situação na Rússia ou um caso de vingança pessoal.

Nemtsov era um dos maiores críticos à ingerência do governo de Vladimir Putin nos assuntos internos da Ucrânia e tinha denunciado que milhares de soldados russos combatiam ao lado dos separatistas.

A oposição russa tachou o caso de "assassinato político", o que faria parte de uma campanha lançada pelas autoridades contra os novos inimigos do povo russo: aqueles que se opõem à atuação do Kremlin no conflito ucraniano. "Nemtsov foi morto pela guerra. A principal versão é que foi assassinado por sua postura antibelicista. Foi assassinado pelos que apoiam a política governista de agressão contra outros povos", disse o líder do partido liberal Yabloko, Sergei Mitrokhin. /EFE e NYT

Mais conteúdo sobre:
Rússia Boris Nemtsov

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.