Políticos suíços lançam dúvidas sobre brasileira

Políticos suíços de extrema direita questionaram ontem a internação numa clínica psiquiátrica da brasileira Paula Oliveira, que há três meses simulou ter sido vítima de um ataque neonazista numa estação de trem de Zurique. Como não foi feita por ordem judicial, os políticos desconfiam que a internação não passe de uma jogada para evitar que Paula seja condenada por falso testemunho.Em fevereiro, ela alegou que havia sido atacada por três skinheads que teriam marcado em seu corpo as letras SVP, siglas do Partido do Povo Suíço, de extrema direita. Ela mesmo acabou admitindo que tudo não passava de uma farsa.Agora, a brasileira responde a um processo na Justiça e, se ficar provado que mentiu, ela poderá ser condenada a até 3 anos de prisão, além do pagamento de pesadas multas. Entretanto, se Paula for diagnosticada como uma pessoa com problemas mentais, poderá ser absolvida.Por isso, políticos do SVP já questionam a internação. "Se de fato ela está na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique, a sentença da Justiça será provavelmente de que ela não estava em pleno gozo das suas faculdades mentais, o que significa que não será penalizada. Então, não entendo por que Paula não foi expulsa há mais tempo, o que teria economizado bastante dinheiro dos contribuintes", declarou Alfred Herr, presidente da seção de Zurique do SVP.Para a Justiça, a internação após o incidente não muda em nada o processo. "O que vale é o que ocorreu no dia do incidente e como ela estava naquela ocasião. E não como ela se encontra hoje", disse o Ministério Público, por meio de sua assessoria.

Jamil Chade, ZURIQUE, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

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