Polônia acerta últimos detalhes para receber o papa

Milhares de peregrinos estão chegando nesta sexta-feira à cidade de Cracóvia, na Polônia, que acerta os últimos preparativos para receber o papa João Paulo II, de 82 anos. A bandeira amarela e branca do Vaticano e a da Polônia, em branco e vermelho, estão em diversas ruas da cidade junto com fotos do papa. A aglomeração em frente à residência de João Paulo II é grande e o altar onde ele realizará uma missa no próximo domingo já foi erguido. Três milhões de pessoas devem comparecer ao evento. Esta é a nona viagem do papa à sua terra natal desde que ocupa o posto, há 24 anos. Por causa da saúde debilitada, a visita do pontífice ficará limitada à região da Cracóvia, onde foi arcebispo antes de sua surpreendente eleição como papa, em 1978. O Vaticano confirmou a viagem do papa, programada para durar quatro dias. Muitos vêem a visita como uma despedida à parte da Polônia onde ele nasceu e viveu por muitos anos. João Paulo II continua bastante popular na Polônia. Cerca de 80% dos poloneses são católicos praticantes e mesmo os que não são têm fotos do papa em suas casas. Não há dúvidas de que João Paulo II é reverenciado em seu próprio país. Numa recente pesquisa, 86% dos entrevistados disseram que a visita dele será um evento importante em suas vidas. Em Cracóvia, bebidas alcóolicas não são vendidas desde a última quarta-feira. Dois milhões de pessoas devem comparecer à missa ao ar livre no domingo, na qual o papa vai beatificar quatro pessoas, incluindo o arcebispo de Varsóvia Zygmunt Felinski, que morreu em 1895. Além de visitar locais religiosos, o papa reservou tempo para ir ao cemitério onde seus pais estão enterrados. Antes de retornar a Roma, um helicóptero irá transportá-lo sobre Wadowice, sua cidade natal, e sobre as montanhas de Tatra, que o papa costumava escalar quando jovem. A viagem do pontífice ocorre em um momento em que a Igreja Católica atravessa uma série de escândalos sexuais envolvendo arcebispos de diversos países. Um dos assistentes pessoais do papa, Juliusz Paetz, renunciou ao cargo este ano depois de ser acusado de molestar seminaristas e padres. Desde que se tornou papa, João Paulo II realizou quase cem viagens para o exterior, visitando mais de 600 cidades do mundo, percorrendo mais de um milhão de quilômetros. Mas o pontífice não se esqueceu de seu próprio país. Um ano após após assumir o posto, em 1978, fez sua primeira viagem à Polônia como papa, quando o país ainda era comunista, e retornou várias vezes durante o seu papado. Como jovem, Karol Wojtyla testemunhou, em primeira mão, a ocupação nazista da Polônia. Em 1942, ele começou a estudar religião secretamente, o que o levou a ser ordenado padre. Muitos historiadores acreditam que a eleição de um papa do leste da Europa foi um fator para o subseqüente colapso do comunismo. Um forte esquema de segurança está sendo montado em Cracóvia, onde 12 mil policiais estarão patrulhando as ruas durante a visita do papa. Na semana passada, a segurança do pontífice virou tema de discussão quando se descobriu um site que teria aberto uma fórum sobre uma ameaça de morte ao Papa. O autor da mensagem, que rapidamente foi tirada do ar, dizia ter arma e munição para matar João Paulo II.

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