AP Photo/Czarek Sokolowski
AP Photo/Czarek Sokolowski

Polônia aumenta pena contra pedofilia após documentário sobre Igreja Católica viralizar no país

Filme que mostra abuso de padres contra menores de idade gerou onda de indignação entre os poloneses, às vésperas das eleições para o Parlamento Europeu

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 02h30

VARSÓVIA, POLÔNIA - A Polônia ampliou nesta quinta-feira, 16, a pena para os condenados por pedofilia para até 30 anos de prisão. Por 263 votos contra três, os legisladores aprovaram uma série de alterações no código penal, que também prevê prisão perpétua para os predadores mais perigosos e elimina a prescrição para casos mais graves de abusos a menores.

O projeto de lei foi apresentado pelo partido do governo, Direito e Justiça (PiS, conservador), um firme aliado do catolicismo no país. As modificações ocorrem dez dias antes das eleições para o Parlamento Europeu, às quais o PiS e a Coalizão Europeia - composta por vários partidos de oposição - aparecem quase empatados nas pesquisas.

A decisão foi tomada após a exibição de um documentário sobre abusos contra menores cometidos dentro da Igreja Católica polonesa, o que gerou uma onda de indignação no país. Realizado pelos irmãos Tomasz e Marek Sekielski, o filme foi visto 18 milhões de vezes desde o último sábado e inclui imagens obtidas com câmera oculta, nas quais as vítimas, agora adultos, se confrontam com padres que lhes agrediram sexualmente há décadas.

Impunes, padres eram apenas transferidos após condenações

No documentário, é possível ver muitos padres admitindo os fatos e pedindo perdão. Em alguns casos, eles chegam a oferecer compensação financeira às vítimas. O filme ainda revela como alguns membros do clérigo envolvidos e até condenados por abuso de menores foram transferidos para outras paróquias e continuaram exercendo suas funções e trabalhando com meninos.

Após ver o documentário, nesta quinta-feira, 16, o primaz da Igreja na Polônia, Wojciech Polak, pediu desculpas "por quaisquer danos provocados por pessoas da Igreja" e se comprometeu a criar um "fundo de solidariedade" para proporcionar "ajuda concreta" às vítimas, enfatizando que não se trata de um fundo de indenização.

A Igreja polonesa admitiu, em março deste ano, que quase 400 religiosos cometeram abusos sexuais contra menores nas últimas três décadas. No mesmo mês, o papa Francisco afirmou que havia iniciado o “processo de cura” da pedofilia dentro da Igreja Católica. / AFP

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