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Polônia decidirá no segundo turno se reelege presidente ou escolhe prefeito

Conservador Andrzej Duda alcançou 41,8% dos votos, contra 30,4% do liberal Rafal Trzaskowski, indica boca-de-urna

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2020 | 19h26

VARSÓVIA - O presidente polonês, o conservador Andrzej Duda, que disputa a reeleição, enfrentará seu adversário, o liberal Rafal Trzaskowski, prefeito de Varsóvia, no segundo turno previsto para 12 de julho, segundo pesquisa de boca-de-urna realizado após as eleições deste domingo, 28.

Duda, de 48 anos, obteve o apoio de 41,8% dos eleitores, enquanto o prefeito de Varsóvia, alcançou 30,4%, segundo pesquisa realizada pelo instituto IPSOS e divulgado pelas grandes emissoras polonesas de televisão, após o fechamento das seções.

O presidente, do partido Lei e Justiça (PiS), comemorou o resultado.

"Venço este primeiro turno graças aos seus votos de forma absolutamente incontestável. O avanço é enorme e lhes agradeço", declarou em Lowicz (centro), cumprimentando o adversário, Trzaskowski, também de 48 anos.

Para o prefeito, do principal partido de oposição, Plataforma Cívica (PO), o segundo turno será "uma escolha entre uma Polônia aberta (...) e os que buscam conflitos todo o tempo". "Serei o candidato da mudança", acrescentou.

Os poloneses votaram neste domingo no primeiro turno das eleições presidenciais, adiadas pela pandemia do novo coronavírus.

Duda impulsionou uma série de reformas polêmicas, especialmente no campo judicial.

Segundo o Lei e Justiça, estas mudanças eram necessárias para eliminar a corrupção entre os juízes.

Seus sócios da União Europeia criticam, no entanto, as reformas do governo, pois consideram que erodem a democracia, apenas três décadas depois da queda do comunismo.

Mas o presidente americano, Donald Trump, que considera o governo polonês um aliado-chave europeu, deu seu apoio a Duda esta semana.

O chefe de Estado polonês foi o primeiro dirigente estrangeiro recebido na Casa Branca desde o começo da pandemia, apenas quatro dias antes das eleições.

O pleito foi afetado pela crise do coronavírus, que obrigou as autoridades a adiá-lo de maio para junho.

Um novo sistema de votação híbrido - por correio e convencional - foi planejado para este domingo para reduzir o risco de infecções.

Conforme dados oficiais, o país registra mais de 33.000 casos de contágio e mais de 1.400 mortes. O Ministério da Saúde já reconheceu, porém, que pode haver até 1,6 milhão de casos não detectados na Polônia, um país de 38 milhões de habitantes.

Retórica anti-homossexuais

Duda prometeu aos poloneses que defenderia uma série de benefícios sociais promovidos pelo partido da situação, como uma espécie de "renda-família" e aumento da aposentadoria.

Os poloneses temem uma recessão, a primeira desde o fim do comunismo, devido à crise deflagrada pelo novo coronavírus.

Segundo analistas, Duda apoiou fortemente os ataques do Lei e Justiça aos direitos das pessoas LGBT, com o objetivo de atrair simpatizantes de seu rival de extrema direita.

Rafal Trzaskowski, que fez campanha sob o lema "Já tivemos o suficiente", prometeu reparar os laços com a UE. Desde que chegou ao poder em 2015, Duda e o PiS abalaram a política polonesa, alimentando tensões com Bruxelas.

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