Polônia estuda legalizar aborto e união gay

A pregação do papa João Paulo II contra o aborto e o reconhecimento da união dos homossexuais parece não surtir efeito em sua terra natal. Parlamentares do partido governista da Polônia anunciaram que pretendem liberalizar as leis antiaborto do país e conceder a uniões de pessoas do mesmo sexo direitos semelhantes aos do matrimônio. As propostas já provocaram críticas da influente Igreja Católica polonesa, para a qual o efeito das mudanças será tornar a sociedade "desumana".Os representantes da Aliança Democrática de Esquerda devem enviar os projetos ao Congresso nas próximas semanas. Sua aprovação é incerta, já que os governistas são minoria. Controvérsias à parte, o anúncio de hoje foi visto como uma tentativa de desviar atenção da crise econômica que tem minado a popularidade do primeiro-ministro Leszek Miller.A legislação proposta confere a casais de gays ou lésbicas o direito de compartilhar bens e de herdar os do companheiro. Mantém, no entanto, a proibição da adoção.Quanto ao aborto, o projeto prevê o direito caso a mulher comprove que sua situação socioeconômica é precária e ela não pode sustentar a criança. As leis polonesas a respeito eram liberais no regime comunista, mas foram modificadas em 1993, sob inspiração da Igreja. Hoje a gestação só pode ser interrompida se a saúde da mulher estiver em risco, em caso de malformação do feto ou se a gravidez tiver sido causada por estupro ou incesto.

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