Polônia evita entrar em polêmica sobre escudo dos EUA

A Polônia decidirá se aceita a instalação no país de dez baterias antiaéreas dos Estados Unidos com base apenas nos interesses poloneses. A declaração foi feita pelo presidente do Senado polonês, Bohdan Borusewicz, numa entrevista exclusiva à Agência Estado durante visita ao Brasil esta semana."Minha posição sobre o escudo antimíssil americano é a seguinte: caso ele aumente a segurança da Polônia, nós o aceitaremos, caso contrário, recusaremos. Não vamos decidir esse assunto com base apenas na segurança dos Estados Unidos", fez questão de ressaltar o presidente do Senado polonês.Sobre as preocupações da Rússia em relação à ameaça à segurança do país, Borusewicz comparou o poder militar polonês ao russo. "Na Polônia teremos dez lançadores de foguetes capazes de abater mísseis intercontinentais e a Rússia tem vários milhares de lançadores." Além disso, para o polonês, cabe aos EUA, e não à Polônia, dar garantias de segurança à Rússia.Borusewicz criticou, ainda, a posição do governo russo em relação aos novos países da UE. Para ele, os russos não teriam reclamado se a proposta americana envolvesse países como a Inglaterra ou a Alemanha, o que retrataria a diferença de tratamento russo aos países do bloco europeu.Apesar de evitar entrar em grandes polêmicas com a Rússia, a Polônia parece estar tentado distanciar-se cada vez mais de Moscou. Uma indicação disso é o objetivo do país de tornar-se independente do combustível russo."O uso da energia como arma política já faz parte das táticas russas e temos que nos adaptar", afirmou Borusewicz. Daí a necessidade do país de diversificar suas fontes de energia. Na visita ao Brasil, um dos assuntos de interesse foi o etanol."Para nós, o Brasil é o maior parceiro comercial na América do Sul", afirmou Borusewicz. O presidente do Senado veio ao Brasil acompanhado de 30 empresários poloneses. O intercâmbio comercial entre Brasil e Polônia é de US$ 750 milhões por ano.

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