EFE/EPA/Artur Reszko
EFE/EPA/Artur Reszko

Polônia vai construir cerca na fronteira com Belarus para impedir imigrantes

União Europeia diz que presidente belarusso, ao liberar fronteiras para imigrantes, está travando uma 'guerra híbrida' para exercer pressão sobre o bloco após sanções contra Minsk

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2021 | 15h00

USNARZ GORNY, Polônia — A Polônia vai construir uma cerca ao longo de sua fronteira com Belarus e dobrar o número de soldados no local, disse o ministro da Defesa nesta segunda-feira, com o objetivo de conter a entrada de imigrantes e refugiados. Segundo a União Europeia (UE), o fluxo de pessoas está sendo impulsionado por Minsk em retaliação a sanções da UE contra o governo do presidente Alexander Lukashenko.

Desde maio, quando Lukashenko disse que retaliaria as sanções da UE e os esforços da Polônia e da Lituânia para ajudar os opositores belarussos pró-democracia que fugiram da repressão do governo após as eleições de 2020, aumentou o número de refugiados e imigrantes em situação irregular que cruzam a fronteira em direção ao bloco aumentou. A União Europeia afirma que Lukashenko trava uma "guerra híbrida" com os migrantes e refugiados para exercer pressão sobre o bloco.

Mais de 2 mil estrangeiros, principalmente do Oriente Médio e do Afeganistão, entraram na Polônia apenas em julho deste ano. Outros dois países do bloco, Lituânia e Letônia, também relataram aumentos acentuados no número de pessoas de países como Iraque e Afeganistão tentando cruzar suas fronteiras.

O ministro da Defesa polonês, Mariusz Blaszczak, disse que uma nova cerca de 2,5 metros de altura seria construída na fronteira com Belarus. Em uma entrevista na fronteira, Blaszczak também anunciou que a presença militar na área seria intensificada. "É necessário aumentar o número de soldados. Em breve, dobraremos o número de soldados para 2 mil”, afirmou.

O governo polonês vem sofrendo fortes críticas de defensores dos direitos humanos por causa da situação de um grupo de estrangeiros detidos há duas semanas ao ar livre entre guardas de fronteira poloneses e belarussos perto da aldeia de Usnarz Gorny. 

A Polônia alega que permitir sua entrada em território polonês encorajaria um maior fluxo e também daria a Lukashenko exatamente o que ele quer. “Estes não são refugiados, são imigrantes econômicos trazidos pelo governo belarusso”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Marcin Przydacz, para tentar justificar o bloqueio.

Com a tomada inesperadamente rápida do Afeganistão pelo Talibã, levantando a perspectiva de uma nova onda de imigrantes e refugiados, os Estados da UE vizinhos à Belarus emitiram uma declaração conjunta e um pedido de assistência nesta segunda-feira.

“O uso de imigrantes para desestabilizar os países vizinhos é uma clara violação do direito internacional e se qualifica como um ataque híbrido contra a Lituânia, Letônia e Polônia e, portanto, contra toda a União Europeia”, disseram os países. “É claro para nós que a crise atual foi planejada e sistematicamente organizada pelo regime de Alexander Lukashenko.”

Assinada pelos líderes da Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia, a declaração pede que as autoridades da ONU investiguem a situação dos estrangeiros na Belarus e obriguem o país a assumir a responsabilidade por aqueles que chegam a seu território.

“O uso de refugiados e imigrantes como armas representa uma ameaça à segurança regional da União Europeia e é uma grave violação dos direitos humanos”, disseram. / REUTERS E BLOOMBERG 

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