Ted ALJIBE / AFP
Ted ALJIBE / AFP

Pompeo afirma que atividade marítima da China ameaça soberania das Filipinas

Declaração do secretário de Estado americano sobre movimentos militares chineses em zona importante para o comércio mundial acontece após questionamento de secretário filipino sobre acordo de defesa mútua

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 05h17

MANILA - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou nesta sexta-feira, 1, que a atividade militar da China nas águas do Mar da China Meridional é uma "ameaça" e "viola a soberania das Filipinas."

"Como nação insular, as Filipinas dependem do acesso livre e ilimitado para o mar. A construção de ilhas artificiais e atividade militar da China neste mar ameaça a soberania, segurança e bem-estar econômico do país e também dos Estados Unidos”, disse Pompeo, durante uma coletiva de imprensa em Manila.

Pompeo chegou à noite nas Filipinas, onde teve um breve encontro com o presidente Rodrigo Duterte e, em seguida, se encontrou com o chanceler do país, Teodore Locsin.

O chefe da diplomacia americana ressaltou que, como o mar faz parte do Pacífico, "qualquer ataque armado contra as forças filipinas, bases aéreas ou navios públicos, ativará automaticamente obrigações de defesa mútua".

As Filipinas e os EUA são aliados históricos que desde 1951 contam com o Tratado de Defesa Mútua, um acordo que estabelece que ambos os países se ajudariam em caso de ataque de forças estrangeiras.

As declarações de Pompeo vêm depois de declaração do secretário de Defesa das Filipinas, Delfin Lorenzana, que há algumas semanas pediu uma revisão do tratado para "esclarecer ambiguidades" sobre a resposta conjunta no caso de agravamento das tensões no Mar da China Meridional.

Nesta sexta, em uma entrevista conjunta com o colega americano, o chanceler Locsin afirmou que não é preciso revisar o tratado. “Não creio que se aprofundar nos detalhes seja a melhor forma de demonstrar a sinceridade do compromisso americano. Temos total confiança nos Estados Unidos e nas palavras do secretário Pompeo e do presidente Trump”, afirmou.

O Tribunal de Haia atribuiu para as Filipinas em 2016 a titularidade de diversos territórios nestas águas, como o arquipélago Spratly, uma área com importância fundamental para mais da metade do comércio mundial.

A China não reconhece a decisão do tribunal internacional e continua suas atividades militares sem que o governo de Duterte tenha reivindicado nada. O presidente filipino reorientou sua política externa para a China em troca de investimentos e empréstimos, em detrimento do seu tradicional aliado americano.

Locsin e Pompeo discutiram ainda uma possível visita de Duterte a Washington. A data para a viagem deve ser definida após as eleições legislativas das Filipinas, em maio. \ EFE

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