ANTONIO CARLOS/ESTADÃO
ANTONIO CARLOS/ESTADÃO

Pompeo se encontrará com imigrantes venezuelanos em Boa Vista 

Segundo Departamento de Estado, chefe da diplomacia dos EUA passará por Roraima em giro por países da América Latina, que inclui ainda Suriname, Guiana e Colômbia

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 16h04
Atualizado 22 de setembro de 2020 | 19h06

WASHINGTON - O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou nesta terça-feira, 15, que fará uma viagem oficial à América do Sul. O roteiro é um recado ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Entre quinta-feira e domingo, Pompeo passará por Suriname, Guiana e Boa Vista, capital de Roraima, fechando o giro diplomático em Bogotá, na Colômbia

De acordo com o Departamento de Estado, Pompeo se reunirá em Boa Vista com dissidentes que “escaparam do desastre” na Venezuela. A viagem ocorre no momento em que os esforços internacionais para promover uma mudança democrática se estagnaram e Maduro parece mais seguro no poder, apesar das turbulências política e econômica, que levaram milhões de venezuelanos a fugir do país. 

“Em Boa Vista, o secretário Pompeo ressaltará a importância do apoio dos EUA e do Brasil ao povo venezuelano neste momento de necessidade, visitando imigrantes venezuelanos que fogem do desastre na Venezuela”, afirmou ontem o porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortagus.

A escala em Boa Vista deve ocorrer na tarde de sexta-feira e está programada para durar 3 horas e 20 minutos. Na capital de Roraima, o chefe da diplomacia americana visitará um centro de triagem para receber migrantes venezuelanos e se encontrará com o chanceler do Brasil, Ernesto Araujo, segundo informações do governo brasileiro.

A fronteira entre Brasil e Venezuela está fechada desde 18 de março em razão da pandemia do novo coronavírus. O fluxo de migrantes venezuelanos que entram em território brasileiro caiu de uma média de 600 por dia para alguns poucos, que se arriscam em pequenas trilhas que ligam os dois países.

As sanções dos EUA contra a indústria petrolífera da Venezuela reduziram as exportações de petróleo ao seu menor nível em décadas, mas não conseguiram afrouxar o controle de Maduro sobre as Forças Armadas – algo que frustrou o presidente americano, Donald Trump, segundo diplomatas do Departamento de Estado. 

Com a aproximação das eleições presidenciais de novembro, Trump prepara mais uma onda de sanções diplomáticas e econômicas, especialmente contra as indústrias de petróleo e de ouro da Venezuela. De acordo com analistas, a posição dura da Casa Branca contra Maduro pode render votos da comunidade cubana e dos refugiados venezuelanos que vivem na Flórida, um Estado essencial na disputa contra o democrata Joe Biden

A viagem de Pompeo, segundo diplomatas americanos, “reforçará o compromisso dos EUA em defender a democracia na região”. Depois de passar pelo Brasil, o secretário de Estado se reunirá em Bogotá com o presidente Iván Duque, segundo o Departamento de Estado. / FELIPE FRAZÃO e REUTERS

 

   

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