EFE/ Fazry Ismail - 02/08/18
EFE/ Fazry Ismail - 02/08/18

Pompeo se reúne com ministro turco para discutir prisão de pastor

Secretário de Estado se encontrou com homólogo em Cingapura para tentar resolver a crise diplomática entre os dois países após a detenção de Andrew Brunson, acusado de terrorismo pela Turquia

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2018 | 02h40
Atualizado 03 Agosto 2018 | 13h41

KUALA LUMPUR - O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reuniu nesta sexta-feira, 3, com seu homólogo turco, Mevlüt Cavusoglu, para discutir a crise diplomática entre Washington e Ancara após a detenção de um pastor americano na Turquia.

Os Estados Unidos exigem a libertação de Andrew Brunson, atualmente detido em prisão domiciliar sob acusações de espionagem a apoio a grupos terroristas. A pena contra o pastor pode chegar a até 35 anos de prisão - ele já cumpriu um ano e meio da pena em regime fechado. A diplomacia americana nega as acusações e impôs sanções contra o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, que ameaça uma retaliação.

"Espero que eles vejam isso [as sanções] pelo o que é: uma demonstração que estamos muito sérios", disse Pompeo. "Nós consideramos essa situação um dos vários problemas que temos com os turcos."

Após o encontro, realizado a portas fechadas em Cingapura, onde o secretário também se encontra com líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Pompeo afirmou que a Turquia está "sob aviso" e que "já passou da hora" do país libertar o pastor.

"Brunson precisa voltar para casa, assim como todos os americanos detidos pelo governo turco, sendo bem direto. Eles estão detendo essas pessoas por muito tempo", afirmou o secretário. "Agora, vamos trabalhar para ver se conseguirmos ir em frente."

O encontro entre Pompeo e Cavusoglu ocorreu por volta das 1230, horário local (1h30 no horário de Brasília). Apesar de apostar em uma "abordagem diplomática" para resolver a crise, a situação "já durou tempo demais", disse uma porta-voz da delegação americana antes da reunião.

Após a reunião, Cavusoglu fez um comentário breve à imprensa turca informando que o encontro com o diplomata americano discutiu os próximos passos das negociações entre os países sobre o caso, mas não detalhou o que ou se algo foi decidido entre Washington e Ancara. 

Na última quarta-feira, 1º, os dois ministros conversaram por telefone logo após os Estados Unidos aprovarem sanções contra os ministros do Interior e de Justiça da Turquia, Suleyman Soylu e Abdulhamit Gul, respectivamente, considerados por Washington os principais articuladores da prisão do pastor americano.

O presidente Donald Trump e seu vice, Mike Pence, disseram ao longo da semana que a libertação de Brunson é uma prioridade para Washington desde a sua transferência de um presídio para prisão domiciliar.

O gesto do governo turno elevou as tensões entre os dois países, aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte, cujas relações já estavam deterioradas devido ao apoio turco às tropas russas no conflito da Síria.

A Turquia acusa Brunson de espionagem e terrorismo em prol de uma organização supostamente liderada pelo dissidente Fethullah Gülen, acusado por Erdogan de ser o idealizador da tentativa frustrada de golpe em 2016. Há dois anos, Ancara exige a extradição de Gülen, que vive nos Estados Unidos, mas não obteve sucesso nos pedidos. //AFP, REUTERS

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