"Ponha-se em seu lugar", diz Chávez ao secretário da OEA

Aumentando o tom de confrontação queassumiu na semana passada, com a ordem para prender os líderesda greve geral de quase dois meses iniciada em 2 de dezembro, opresidente venezuelano, Hugo Chávez, exigiu neste domingo que osecretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA),César Gaviria, "ponha-se em seu lugar". Após a prisão dopresidente da principal entidade empresarial da Venezuela, aFedecámaras, Carlos Fernández, Gaviria disse esperar que osdireitos individuais do líder opositor fossem respeitados. "Doutor Gaviria, este é um país soberano", disse Chávezdurante seu programa semanal de TV Alô, Presidente. "O senhorfoi presidente de um país (a Colômbia). Ponha-se em seu lugar.Não há privilégios neste país, de nenhum tipo. Este é um paíssoberano, doutor Gaviria." Gaviria está na Venezuela desde outubro na tentativa demediar a crise política entre o governo de Chávez e a oposição.Após o início da greve geral, a mesa de diálogo ganhou também oapoio do grupo de países Amigos para a Venezuela, coordenadopelo Brasil e integrado também por EUA, México, Chile, Portugale Espanha. Durante seu discurso, Chávez criticou também "algunsgovernos" que se manifestaram contra a prisão de Fernández e aordem de detenção emitida contra outro líder da greve, opresidente da Central de Trabalhadores da Venezuela (CTV),Carlos Ortega - que se nega a apresentar-se e anunciou quepassaria para a clandestinidade. Entre os países quequalificaram a prisão de "elemento de preocupação" estão EUA,Espanha e Portugal. "Eles (governos e personalidades) não manifestarampreocupação quando o presidente Chávez e todo o povo estavamseqüestrados por essas pessoas. Será que continuarãoconfundidos?", perguntou Chávez com ironia. "Porta-vozes de alguns governos saíram a preocupar-se com aprisão não sei de quem. E são os mesmos governos que aplaudiramo golpe aqui (a frustrada tentativa de golpe de abril). Agoravoltam a equivocar-se. Ou será que não é equívoco?" Chávez ainda se disse insatisfeito com a decisão da Justiçade conceder a Fernández - acusado de delitos como traição àpátria e conspiração - o benefício da prisão domiciliar. "Masisso mostra que não há parcialidade nas decisões judiciais",acrescentou Chávez.

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