AP Photo/Martin Mejia
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Pontes na fronteira com a Venezuela correm risco de desabar, diz Colômbia

Diretor da Migração Colômbia, agência alfandegária do país, diz que sobre peso de contêineres instalados por forças de Nicolás Maduro - alguns deles preenchidos com areia - colocam em risco as estruturas que, no fim de semana, foram atingidas por incêndios

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 12h07

CÚCUTA, COLÔMBIA - Três das quatro pontes que ligam a fronteira da Colômbia com a Venezuela correm risco de desabar em razão do sobrepeso que as forças de Nicolás Maduro colocaram nas estruturas para manterem o bloqueio e impedir a entrada de ajuda, afirmou na quinta-feira o governo colombiano.

"Denunciamos essa atitude por parte da ditadura de Maduro que está colocando em risco não apenas a infraestrutura da ponte, mas também sua própria população. Todos os dias, eles colocam carga estática não apenas na ponte Simón Bolívar, mas também na Ponte da Unidade", disse o diretor da Migração Colômbia - agência alfandegária do país -, Christian Krüger.

"Os pontos que estão em risco são três: a ponte Francisco de Paula Santander, a ponte Simón Bolívar e também a Ponte da União (Tienditas)", explicou Krüger na conta da agência no Twitter. Ele não deu informações sobre a quarta ligação entre os dois países, a Ponte União.

Apenas pela ponte Simón Bolívar passam diariamente cerca de 40 mil pessoas entre trabalhadores, consumidores e alunos que estudam do lado colombiano e que, desde o fechamento da fronteira na semana passada, não puderam ir às aulas.

As pontes ligam o Departamento (Estado) de Norte de Santander com o turbulento território da Venezuela, cujo lado está bloqueado pelas forças chavistas para evitar a entrega de alimentos e remédios coordenado, com apoio da Colômbia, pelo líder opositor Juan Guaidó, reconhecido por presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

A ajuda foi enviada, em sua maioria, pelos Estados Unidos. Para Maduro, no entanto, trata-se de uma estratégia de Washington para colocar me prática um plano de intervenção militar no país com o objetivo de tirá-lo do poder e assumir o controle das vastas reservas de petróleo do país. O governo chavista rompeu relações com o presidente colombiano Iván Duque.

No fim de semana, as pontes foram palco de enfrentamentos entre manifestantes e as forças de segurança da Venezuela, o que obrigou Guaidó a ordenar a retirada de sus apoiadores e dos caminhões com a ajuda, que segue armazenada em Cúcuta, capital de Norte de Santander. 

Nas pontes, as forças de Maduro instalaram contêineres e, segundo a Migração Colômbia, alguns foram preenchidos com areia para impedir sua movimentação. A isso, soma-se o fato de as estruturas terem sido afetadas pelos incêndios ocorridos no sábado, durante os confrontos.

"Se sofrer sobrecarga, obviamente corre o risco de desabar e essa foi a advertência feita pela Migração Colômbia", disse, por sua vez, o ministro de Defesa colombiano, Guillermo Botero, em visita à região.

Do lado colombiano, as fronteira, que ficaram fechadas por alguns dias durante a tentativa de entregar ajuda aos venezuelanos, estão "tecnicamente abertas, mas com restrições", disse o ministro, sem explicar quais seriam essas restrições. 

"Mas de nada adianta abrir a fronteira se ela segue fechada do outro lado", completou Botero. Do lado venezuelano, dezenas de cidadãos burlam o fechamento por meio de trilhas clandestinas, algumas passando por baixo das estruturas, para chegarem à Colômbia. / AFP

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