Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

''Popstars'', mineiros do Chile passam por SP

Em escala no aeroporto de Cumbica, a caminho de Israel, grupo é abordado por curiosos; desde resgate, em outubro, eles não param de viajar

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Menos de cinco minutos depois de pôr os pés no saguão de desembarque do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, ontem, o mineiro Luis Urzúa, líder do grupo de 33 trabalhadores que ficou preso na Mina San José, no norte do Chile, foi abordado por curiosos que o reconheceram durante sua breve passagem pelo terminal. Com o olhar sereno de quem já está acostumado com esse tipo de recepção, o chileno foi educado e deu alguns autógrafos.

Depois, o mineiro de 55 anos embarcou para Israel com 23 de seus companheiros de agonia - todos viajaram acompanhados de um parente. Desde seu resgate, em 13 de outubro, Urzúa já viajou com seus colegas duas vezes aos EUA, uma à Grã-Bretanha e outra à Alemanha. "É uma compensação... Viajando tratamos de esquecer um pouco o problema da ficar encerrado."

Mas Marta Contreras, de 38 anos, assistente social que acompanha o grupo desde o primeiro contato com as equipes de resgate, explicou que a vocação de "globetrotters" dos mineiros vai além. "Alguns deles já aceitaram convites individuais para viajar", afirmou.

É o caso de Florencio Ávalos Silva, de 31 anos, que recentemente esteve na China. "Nunca pensei que viajaria tanto, com a situação trabalhista dos mineiros do Chile. Isso me emociona: encontrar o que nunca conheci", disse, contando que entre o fim de março e o começo de abril o grupo tem marcada uma outra viagem aos EUA. Depois das andanças, ele pretende retomar a mineração.

Citando frases religiosas durante toda a entrevista concedida ao Estado, o mineiro evangélico José Samuel González, de 55 anos, afirmou que essa viagem "é um privilégio e um presente de Deus".

Segundo o Ministério do Turismo de Israel, que convidou os mineiros para conhecer o país, eles passarão ainda por Belém, na Cisjordânia. Seu roteiro, de acordo com a pasta, será mais voltado a paisagens cristãs - religião predominante no grupo. No domingo, eles deverão se encontrar com o presidente israelense, Shimon Peres.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.