População abandona cidade afegã por temer guerra

Temendo a retomada de combates, civis afegãos fecharam lojas e fugiram, hoje, enquanto soldados impediam que forças leais a um ambicioso senhor da guerra entrassem na capital de uma província estrategicamente importante. O senhor da guerra, o líder tribal pashtun Pacha Khan, estava deslocando mais homens para a região, depois que seus combatentes foram bloqueados numa barreira rodoviária cerca de 10 km ao sul da cidade de Gardez, na província de Paktia, sudeste do Afeganistão. Forças apoiadas pelos EUA ainda combatem bolsões de homens da Al-Qaeda e do Taleban escondidos nas montanhas de Paktia. Lucrativas rotas de contrabando também passam através da província fronteiriça, para o vizinho Paquistão. Khan, ligado à Aliança do Norte que derrubou o Taleban em dezembro depois de dois meses de fortes bombardeios dos EUA, quer ser empossado como governador de Paktia, mas enfrenta forte oposição local. Entrevistados em Cabul, a capital afegã, 100 km ao norte, viajantes vindos de Gardez disseram hoje não ter visto combates, mas temiam a explosão de um conflito. "As pessoas estão amedrontadas e fugindo", afirmou o motorista Malang. Rivalidades e lutas internas entre facções e senhores da guerra estão frustrando tentativas do governo interino de Hamid Karzai de garantir a estabilidade nas províncias afetadas por guerras. Falando hoje ao Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, Karzai renovou seu apelo pela expansão da força de segurança multinacional que patrulha as ruas de Cabul para outras partes do país. "Expandir a presença dela para outras grandes cidades irá sinalizar o comprometimento atual da comunidade internacional com a paz e a segurança no Afeganistão", argumentou Karzai. A barreira onde foram bloqueadas hoje as tropas de Khan, numa rodovia que sai da cidade de Khost, em Paktia, é dominada por forças ligadas ao chefe de polícia de Gardez e ao líder do conselho de governo da cidade, disseram moradores. Viajantes de Khost afirmaram que também existe tensão ao redor da cidade deles, e que o governo de Karzai enviou uma delegação de alto nível para tentar mediar um acordo. "As relações entre as tribos lá são muito ruins", disse Abdul Jabber. Outro viajante, Omar Gul, afirmou que facções rivais estavam tentando levar forças dos EUA a atacarem seus competidores, ao dar informações incorretas sobre a presença da Al-Qaeda e do Taleban na região. "Eles querem que os americanos alvejem seus inimigos", disseram. Autoridades dos EUA afirmam que têm o cuidado de checar suas fontes de inteligência, mas também admitiram que é difícil conseguir informações confiáveis num país onde senhores da guerra e facções têm a tradição de mudar constantemente de lado. Leia o especial

Agencia Estado,

30 Janeiro 2002 | 15h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.