População afegã aclama libertação de estrangeiros

Os oito funcionários humanitários ocidentais, que ficaram mais de três meses detidos pelo Taleban acusados de pregar o cristianismo entre os muçulmanos, foram aclamados pela população afegã depois de terem sido libertados na quarta-feira, contou um deles hoje ao chegar a Islamabad. Georg Taubamann e três de suas colegas alemãs - Magrit Stebnar, Katrin Jelinek e Silke Duerrkopft - falaram à imprensa após terem sido retirados do Afeganistão por helicópteros dos EUA com os americanos Heather Mercer e Dayna Curry e os australianos Diana Thomas e Peter Bunch.Segundo Taubmann, na noite de segunda-feira, enquanto o Taleban abandonava Cabul, ele e os outros sete funcionários da organização não-governamental Shelter Now International foram retirados de sua cela e levados em direção a Kandahar, sul do Afeganistão. Ao amanhecer, o veículo parou perto da cidade de Ghazni, 150 quilômetros ao sul de Cabul. "Eles nos puseram em um contêiner de metal. Fazia um frio terrível. Ficamos congelando a noite toda."Na manhã seguinte, eles foram transferidos para a pior das cinco prisões pelas quais passaram desde agosto. Logo começaram a ouvir explosões e rajadas de metralhadoras. "Mais ou menos às 11 horas, homens barbados invadiram a prisão. Pensamos que eram do Taleban e vinham nos matar." Em vez disso, os homens se identificaram como membros da Aliança do Norte. Taubmann disse que eles ficaram assombrados ao encontrar os estrangeiros presos. "Saímos da prisão e, nas ruas, as pessoas nos aplaudiam e abraçavam, festejando a partida do Taleban."Ele disse que os soldados os levaram para um lugar seguro e enviaram uma mensagem, por meio da Cruz Vermelha, à Embaixada da Alemanha em Islamabad, informando de sua libertação. Os alemães contactaram a embaixada americana que mandou helicópteros resgatá-los. "As mulheres tiveram de queimar suas burkas para que os helicópteros nos encontrassem na escuridão", contou. "Sou um cristão e devo perdoá-los por tudo que fizeram. Mas, como seres humanos, detestamos o que fizeram conosco", disse Taubamann.O julgamento contra Taubmann, seus sete colegas estrangeiros e outros 16 afegãos começou em setembro, mas foi suspenso por causa dos bombardeios americanos no Afeganistão. Eles corriam o risco de serem condenados à morte. O presidente George W. Bush falou hoje por telefone com as duas americanas e disse que elas agradeceram a todos pelas orações. Leia o especial

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