População decide dissolver o Parlamento da Letônia

Os letões decidiram, hoje, em referendo, dissolver o Parlamento do país. A Letônia, afetada pela recessão econômica, tenta encerrar uma cultura de corrupção nos setores público e privado. Apenas 44% dos eleitores compareceram às urnas, mas segundo dados provisórios da comissão eleitoral, 94,79% desses eleitores votaram pela dissolução do Parlamento, ante 4,98% que foram contrários.

AE, Agência Estado

23 de julho de 2011 | 20h17

Este foi o primeiro referendo desde que o país báltico de 2,2 milhões de habitantes se separou da União Soviética, 20 anos atrás. O primeiro-ministro Valdis Dombrovskis disse que votou pela demissão dos legisladores e que uma nova eleição será uma "oportunidade de assegurar que forças que apoiam o Estado da lei terão a maioria" numa nova legislatura.

O referendo foi convocado em maio, quando o ex-presidente Valdis Zatlers usou seu poder para dissolver o Parlamento, decisão que precisa receber o apoio da maioria dos votantes. Zatlers ficou irritado com o fato de os parlamentares terem bloqueado uma investigação de corrupção contra importantes legisladores e empresários.

Na semana seguinte, Zatlers perdeu a reeleição quando os parlamentares - que na Letônia elegem o presidente a cada quatro anos - optaram pelo concorrente Andris Berzins, um legislador milionário.

Em dezembro de 2008, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional socorreram o país com um pacote de 7,5 bilhões de euros, mas a ajuda não foi suficiente para melhorar o descontentamento da população, já que o governo cortou gastos e elevou os impostos. O desemprego chegou a quase 25% e dezenas de milhares de pessoas deixaram o país para trabalhar na Suécia, Grã-Bretanha e Irlanda.

Antecipando a decisão do eleitorado, os políticos já entraram em campanha eleitoral há algumas semanas. Dois partidos nacionalistas de direita, o "Para a Pátria e Liberdade" e o "Tudo pela Letônia!" criaram uma aliança. Hoje, o ex-presidente criou oficialmente sua própria organização, o "Partido da Reforma", que pretende participar das eleições de setembro. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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