População do Oriente Médio recebe Obama com cautela

Muitas pessoas em todo o Oriente Médio comemoram a posse do presidente eleito Barack Obama hoje, mas expressaram reservas sobre como ele vai realmente mudar a política dos Estados Unidos na região, onde o sentimento antiamericano aumentou durante a administração Bush. Essas dúvidas tornaram-se mais pronunciadas nas últimas semanas com a devastadora ofensiva contra a Faixa de Gaza por Israel, aliado dos Estados Unidos, que matou mais de 1.250 palestinos. Mas Obama continua a atrair boa vontade no Oriente Médio, principalmente de pessoas que acreditam que sua origem multicultural permite a ele relacionar-se melhor com a região do que os últimos presidentes norte-americanos. Saleh al-Mohaisen, um saudita dono de uma loja de joias, disse que ficou "radiante" quando Obama foi eleito e verá a posse hoje porque "é um evento muito importante". "Eu quero enviar a ele uma carta por um emissário para desejar-lhe boa sorte e explicar como os muçulmanos e árabes se sentem", disse ele. "Eu senti que ele pode entender o sofrimento árabe". Al-Mohaisen disse que o fato de Obama não ter denunciado a ofensiva israelense em Gaza fez com que ele ficasse mais cauteloso em relação ao novo líder, mas não o suficiente para mudar sua opinião geral a respeito dele. Obama disse que estava preocupado com o número de vítimas civis durante a ofensiva em Gaza, mas basicamente permaneceu em silêncio, dizendo que naquele momento havia apenas um presidente para falar sobre assuntos externos nos Estados Unidos, George W. Bush. Os iraquianos também expressaram sentimentos diversos. Alguns afirmaram que Obama representa uma nova página na história dos Estados Unidos e outros questionaram o quanto a política norte-americana para o Iraque poderia mudar. "Hoje é um grande dia para os Estados Unidos, o dia em que um presidente negro toma posse", disse Ali Salam, 45 anos, proprietário de uma papelaria em Bagdá. "Isso é democracia de verdade e os resultado dos esforços do povo". Muna Abdul-Razzaq, professora primária de 37 anos da cidade de Mosul, no norte do Iraque, disse que os iraquianos têm lembranças ruins do presidente Bush, que "destruiu" o Iraque. "Esperamos que Obama seja mais responsável", disse ela. Mas Muhsin Karim, 50 anos, funcionário do Ministério do Petróleo iraquiano, disse: "Eu não espero grandes mudanças no Iraque porque os Estados Unidos são um Estado de instituições e Obama encontrará poucas opções de mudar alguma coisa". Ele disse que duvida que Obama irá retirar as tropas dos EUA do Iraque em 16 meses, como prometeu durante a campanha. DesafioO Irã também representa um grande desafio para Obama por causa das tensões sobre seu programa nuclear. O próximo presidente disse que quer estabelecer esforços diplomáticos para resolver o conflito, um tipo de aproximação que foi elogiada hoje por alguns iranianos. Mahnazi Abbasi, uma dona de casa de 27 anos de Teerã, disse que espera que os dois países "retomem relações e então seremos capazes de conseguir um visto para os Estados Unidos e visitar o país". Outros iranianos estão menos otimistas a respeito da retomada de relações. "Obama não pode fazer qualquer coisa para mudar as relações entre nós", disse Rahmat Sabouri, um mecânico de carros de 24 anos de Teerã. "O Irã não gosta de Israel e Obama sim. Os dois não podem se dar um com o outro". Ainda assim, as pessoas mantêm a expectativa de que Obama irá transformar fundamentalmente a política dos EUA em relação ao Oriente Médio. "Todos o amam", disse Abdullah Hiyari, taxista de 21 anos de Aman. "Eu estou otimista e acho que ele realmente vai mudar as coisas para melhor na região".

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