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População indígena da Bolívia deve ganhar mais poder

Os índios bolivianos demonstraram seu apoio hoje no referendo sobre uma nova constituição que pretende aumentar o poder da maioria e sofrida população indígena, enquanto dá ao presidente Evo Morales a chance de permanecer no poder até 2014. A expectativa é de que a carta seja aprovada com facilidade no país. Mas divergências com relação ao texto levantadas pelas minorias branca e mestiça poderão reforçar ainda mais a crise política em uma nação dividida, onde as tensões sobre raça e classe social recentemente tem se mostrado fatais.Primeiro presidente indígena da Bolívia, Morales diz que a carta vai "descolonizar" o país mais pobre da América do Sul ao recuperar os valores indígenas perdidos ao longo de séculos de opressão desde a chegada dos espanhóis. A população indígena da Bolívia conquistou o direito de votar somente em 1952, e hoje é a primeira vez que a carta magna do país passa por um referendo. "A democracia vai vencer nesse dia histórico, quando o povo boliviano tem o direito de decidir o seu destino pela primeira vez", disse Morales durante coletiva de imprensa em Chapare, região central dos cocaleiros da Bolívia, onde depositou seu voto.Os líderes da oposição temem que a proposta do presidente ignore a crescente população urbana do país, que mistura as tradições indígenas com uma nova identidade globalizada Ocidental. "As pessoas vão votar pela possibilidade de sonhar com um país melhor - mas o país para todos nós", disse Ruben Costas, governador de oposição do estado de Santa Cruz. "Todos deveríamos fazer parte dessa mudança".A proposta que passa por referendo hoje pede por eleições gerais em dezembro, na qual Morales poderia concorrer por um segundo mandato, consecutivo de cinco anos. A atual constituição permite dois mandatos, mas não consecutivos.Morales, um índio Aymara, uniu sua missão de melhorar a vida dos indígenas de seu país com o que o seu aliado venezuelano o presidente Hugo Chávez chama de "socialismo do século 21". Eleito em 2005 com a promessa de nacionalizar a indústria de gás natural da Bolívia, Morales tem aumentado a presença do estado na economia e ampliou os benefícios oferecidos a camada mais pobre da população. A disputa constitucional já despertou reações violentas no país em diversas ocasiões. Três estudantes foram mortos em meio aos protestos anti governo em 2007, e 13 indígenas que apoiavam Morales morreram durante confrontos em setembro, enquanto manifestantes tomaram prédios do governo para evitar que uma proposta de constituição fosse votada.Em um acordo firmado em outubro, o Congresso aprovou a realização de um referendo somente depois de Morales ter concordado em disputar apenas mais um mandato ao invés de dois.

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