REUTERS/Susana Vera
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População não renunciará aos seus direitos, afirma presidente da Catalunha

Carles Puigdemont pede a catalães que evitem qualquer ato de violência durante votação e uma mediação para solucionar o conflito que opõe a região separatista e Madri

O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2017 | 19h18

GIRONA, ESPANHA - O presidente catalão, o separatista Carles Puigdemont, garantiu neste sábado, 30, que ele e seus simpatizantes não vão abrir mão de seus direitos e participarão do plebiscito sobre a independência da região, apesar da oposição do governo espanhol.

+ Os possíveis cenários na Catalunha diante do plebiscito de independência

"O que não vai acontecer é irmos para casa e renunciarmos aos nossos direitos (...). O governo fez tudo que pôde para que possa acontecer em total normalidade", afirmou Puigdemont, a poucas horas da votação de autodeterminação proibida pela Justiça, pedindo aos catalães que evitem qualquer ato de violência.

Ele também pediu uma mediação para solucionar o conflito que opõe a região separatista e Madri. "Devemos expressar uma vontade clara de que haja uma mediação em qualquer um dos cenários", declarou Puigdemont na cidade de Girona, de onde foi prefeito entre 2011 e 2016, quando chegou à presidência da região. "Qualquer que seja o cenário, quer vença o 'sim' ou o 'não', deve haver uma mediação, porque as coisas não estão funcionando, sejamos sinceros.”

Desde 2012, os dirigentes catalães pedem um plebiscito sobre a independência da região. Os cidadãos estão divididos sobre a separação, mas apoiam amplamente uma votação acordada com Madri.

O governo central de Mariano Rajoy se recusa a negociar o tema, argumentando que a Constituição do país não permite a votação, suspensa pelo Tribunal Constitucional. "Muita gente pensava: 'gostaria de ter argumentos um pouco mais convincentes do que o cumprimento estrito da lei e a força da polícia para continuar fazendo parte da Espanha. Que me dissessem (...) ‘precisamos de vocês, queremos vocês'", lamentou o dirigente da região de 7,5 milhões de habitantes.

O Ministério de Interior da Espanha informou neste sábado que a maioria dos edifícios públicos que seriam usados como seções eleitorais no plebiscito foram fechados. Apenas algumas das potenciais seções estavam sendo ocupadas por pessoas empenhadas em obstruir os esforços da polícia para fazer cumprir uma ordem judicial que impede prédios públicos de serem usados para a votação, disse o Ministério em comunicado.

Desafio

Puigdemont reconheceu sentir o peso de "uma grande responsabilidade ante este momento". "É um momento sério (...). "É preciso falar, é preciso sentar e dialogar sem condições", insistiu. "Todo mundo pede. É um desejo da maioria da sociedade catalã, que quer votar, decidir e fazê-lo de forma bem dialogada e acordada.”

A menos de 24 horas da decisão, Puigdemont se mostrou aberto a desconvocar o pleito, se o governo aceitar negociar uma votação acordada. Ele reforçou, porém, que o poder catalão fará todos os esforços para que o plebiscito aconteça.

Se os partidários do "sim" superarem os do "não", como é esperado diante do boicote ao plebiscito promovido por grupos contrários à separação, o presidente regional mantém seu plano de declarar independência, apesar de ela não ser automática.

"Todos sabemos que há um período de transição, que não existe um botão que automatiza as independências", explicou. "Não pedimos a declaração de independência na lei como um mecanismo que tem efeitos imediatos e na manhã seguinte já está tudo resolvido. Não é apenas ingênua, mas inadmissível, essa ideia.”

Neste cenário, serão novamente necessários o diálogo e a mediação. Apesar de Puigdemont não ter se dirigido a qualquer instituição em particular, ele garantiu que seria lógica "uma atitude ativa de acompanhamento e de interesse por parte da União Europeia", criticada pelo catalão.

"Entendo que tenha compromissos com o Estado espanhol, porque sempre foi assim (...). Mas pare de olhar para o outro lado", lamentou. "Não é eficiente, nem razoável, nem sensato, que o presidente da Comissão Europeia (Jean-Claude Juncker) não tenha encontrado tempo em sua agenda para perguntar o que está acontecendo nesta parte - acredito que importante - da União Europeia", criticou. / AFP e REUTERS

 

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