DENIS CHARLET/AFP
DENIS CHARLET/AFP

População pede fim do acampamento de imigrantes em Calais

Cansados do impacto no turismo e no comércio da região, empresários e funcionários pedem intervenção do governo 

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2016 | 20h34

Comerciantes, agricultores e transportadores da região francesa de Pas-de-Calais realizaram nesta segunda-feira, 5, uma manifestação pedindo o fim do acampamento de refugiados e imigrantes em Calais, no noroeste da França.

Nos últimos cinco meses, a “selva”, como a favela é conhecida, dobrou de tamanho e tem entre 7 mil, segundo as autoridades públicas, e 10 mil moradores, segundo ONGs. Na sexta-feira, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, reiterou que o plano do governo é concluir o desmonte das moradias improvisadas, iniciado em fevereiro, mas paralisado. 

Cazeneuve havia proposto na ocasião indenizar moradores e empreendedores da região que tenham sofrido perdas causadas pela queda no turismo e no comércio na cidade portuária, que é uma das portas de entrada de britânicos na França. Mas a promessa não surtiu efeito. Hoje, centenas de trabalhadores e moradores fecharam a maior rodovia da região, a A16, que passa em frente à “selva”. 

No local, imigrantes lançam armadilhas na estrada para obrigar caminhoneiros a reduzirem a velocidade. Uma vez que isso acontece, os grupos invadem os caminhões na expectativa de atravessar o Canal da Mancha e chegar ao Reino Unido, onde pretendem pedir asilo, refúgio ou trabalhar de forma ilegal.

O acampamento, que existe há duas décadas, voltou a crescer em 2017. A superlotação agravou os problemas enfrentados pela população local, que sofre com as perdas econômicas. Para pressionar o governo, um coletivo de empresas e comércio de Calais foi criado para organizar manifestações.

Cerca de 40 caminhões que deixaram o porto de Dunquerque, somando-se a outros 30 vindos de Boulogne-sur-Mer e a tratores de produtores rurais, bloquearam a estrada mais importante da região. 

Com faixas e cartazes nas quais pediam que o governo declare Calais em “estado de calamidade econômica”, os manifestantes foram acompanhados por líderes políticos regionais. Ao longo do dia, militantes do grupo de extrema esquerda No Border e do de extrema direita Pegida provocaram incidentes, mas sem gravidade.

Além das perdas econômicas, os manifestantes pedem que o Ministério do Interior fixe uma data para o desmantelamento completo do campo de Calais. O governo deu início ao desmanche da área sul da favela, mas em vez de aceitar mudar-se para abrigos organizados pelo governo francês, a maioria se mudou para o setor norte, agravando a densidade populacional do acampamento. 

Hoje, representantes da Federação Nacional dos Transportadores Rodoviários (FNTR) foram recebidos por Cazeneuve e ouviram mais uma vez que a favela será desmontada. “Nós tivemos a confirmação de que o desmantelamento da ‘selva’ será rápido”, informou o presidente da federação, David Sagnard.

Calais representa um dos maiores desafios humanitários causados pela imigração na França porque a legislação binacional impede que o governo abra as portas e permita a chegada dos estrangeiros ao Reino Unido. Por outro lado, os moradores da “selva” não aceitam ser realocados no interior do país por desejarem chegar ao território britânico. Hoje, o Ministério do Interior enviou mais 200 policiais à região.

 

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