Popularidade de Chávez sobe após o câncer

A aprovação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, subiu cinco pontos porcentuais, para 55%, desde o anúncio de que sofre de um câncer, segundo levantamento da empresa de pesquisas Hinterlaces. Anteontem, quando completou 57 anos, o líder venezuelano disse que pretende ficar no poder por mais duas décadas.

AP e WP, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

"Eu disse que sairia em 2021. Bem, não vou sair. Talvez em 2031", declarou do balcão do palácio presidencial. Ele alternou um discurso sério em que citou a doença com gritos de guerra de um líder em plena campanha.

"No próximo ano, nós vamos vencer as eleições presidenciais mais uma vez! Força, união", gritava um Chávez confiante. Tão confiante que arriscou prever uma marca jamais alcançada por ele no pleito. "Vamos conquistar 10 milhões de votos."

A tarefa não parece fácil. Outra pesquisa, divulgada na semana passada pelo instituto venezuelano Datanalisis, mostra o governador de Miranda, Henrique Capriles, praticamente empatado com Chávez, com 37% das intenções de voto contra 39% do atual presidente.

Substituto. Chávez está no poder desde 1999 e busca reeleger-se para mais um mandato de seis anos nas eleições presidenciais previstas para o fim de 2012. Para 57% dos venezuelanos o chavismo não tem outra liderança além dele. E 46% acreditam que, sem Chávez, será impossível manter viva a ideologia de esquerda fortemente associada à figura do presidente, segundo o estudo da Hinterlaces.

Ontem, o ânimo do presidente em seu aniversário ainda repercutia na Venezuela. O aniversariante cantou e dançou no balcão do palácio, ao som de músicas folclóricas tocadas por uma banda. Ao lado de três netos, ele acenou e mandou beijos para os apoiadores que participaram da celebração.

O presidente venezuelano avisou que deverá ficar careca nos próximos meses, como resultado da quimioterapia - a primeira sessão foi feita em Cuba na semana passada. Mas Chávez garantiu que continuará à frente do governo durante o tratamento médico, previsto para terminar em dezembro. Ele passou por duas cirurgias em Havana, a primeira delas no dia 20, para remover um tumor maligno. O tipo de câncer não foi divulgado, apenas que está localizado na região pélvica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.