Photo by Alexey DRUZHININ / SPUTNIK / AFP
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Popularidade de Putin cai enquanto casos de covid-19 disparam na Rússia

Há mais de 165 mil pessoas contaminadas no país; popularidade de Vladimir Putin é a mais baixa em 20 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 10h59

MOSCOU - O descontentamento com a gestão da pandemia pela Rússia levou o índice de aprovação do presidente Vladimir Putin ao seu nível mais baixo em 20 anos no mês passado, informou nesta quarta-feira, 6, o principal centro de pesquisas independente do país, o Levada Center.

Também na quarta, a Rússia se tornou o quinto país da Europa mais afetado pelo coronavírus, depois de registrar mais de 10 mil novos casos de contágio pelo quarto dia consecutivo. De acordo com os números oficiais, o país registrou 10.559 novos casos nas últimas 24 horas e alcançou o total de 165.929 pessoas contaminadas.

O índice de aprovação de Putin caiu para 59% em abril, quatro pontos a menos que no mês anterior e 11 pontos mais baixo que o observado em outubro. E muito longe do apoio de quase 90% que desfrutou após a anexação da Crimeia em 2014. O declínio de Putin contrasta com o de outros líderes mundiais cujos eleitores apoiaram mais em meio à crise, como a neozelandesa Jacinda Ardern.

Embora a pandemia parecesse ocorrer na Rússia de forma mais lenta do que em muitos países ocidentais, o número de casos agora está dobrando a cada 10 dias - uma taxa de crescimento entre as mais altas do mundo. O país ocupa o quinto lugar na lista de nações mais afetadas da Europa e o sexto na lista mundial, de acordo com o balanço da AFP.

Com 1.537 mortos, a taxa de mortalidade continua sendo reduzida na comparação com Itália, Espanha, França, Alemanha, ou Estados Unidos, mas há quem questione os números. As autoridades explicam que a taxa de mortalidade decorre de medidas como o fechamento das fronteiras, os testes (mais de quatro milhões) e a preparação dos hospitais para a pandemia, em particular em Moscou, o foco principal da doença.

O que preocupa muitos russos ainda mais do que o aumento das mortes é a situação econômica cada vez mais terrível, disse o vice-diretor do Levada, Leonid Volkov. O Kremlin está fornecendo ajuda econômica limitada. Pequenas e médias empresas e milhões de russos perderam renda, apesar da promessa das autoridades de apoiarem empresas e trabalhadores.

Em Moscou, epicentro da doença com 85.973 casos relatados e 866 mortes, máscaras cirúrgicas e luvas descartáveis são vendidas desde terça-feira nas estações de metrô. 

Na região em torno da capital, o uso de máscaras em transporte público, lojas e táxis se tornará obrigatório em 12 de maio, anunciou o governador regional. Até três milhões de pessoas têm um passe que lhes permite circular na megalópole e ir trabalhar. 

A chefe da Agência Russa de Saúde (Rospotrebnadzor), Anna Popova, disse em entrevista à televisão russa no domingo que o país pode aumentar as restrições se as pessoas não respeitarem o confinamento. / AFP e The New York Times 

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