Popularidade de Sharon diminui diante da violência

Cerca de 20% dos israelenses acreditam que o primeiro-ministro Ariel Sharon será capaz de colocar fim à atual onda de violência no Oriente Médio, e seu índice de popularidade também está diminuindo em meio aos confrontos, segundo uma pesquisa publicada hoje. O primeiro-ministro, enquanto isso, fez um giro hoje por postos militares na Faixa de Gaza, visitando soldados de Israel na volátil região enquanto forças israelenses e palestinas se enfrentavam nas proximidades. Oito palestinos foram feridos, quatro gravemente, em Rafah, uma cidade palestina no extremo sul de Gaza ao longo da fronteira com o Egito. O Exército israelense afirmou que palestinos dispararam contra suas tropas, que responderam ao fogo.Sharon visitou Gush Katif, uma coleção de assentamentos judeus no sul da Faixa de Gaza, informou seu escritório. Os colonos têm sido vítimas de tiros e disparos de morteiros palestinos. Não ficou claro onde estava Sharon quando ocorreu o confronto. O extremo sul dos assentamentos de Gush Katif fica a cerca de 1,5 quilômetro de Rafah.Também hoje, a polícia israelense parou um carro que tentava atravessar da Cisjordânia para Israel, deteve dois palestinos e encontrou uma poderosa bomba de 10 quilos no interior do veículo. Depois que o carro foi parado, a polícia evacuou a cidade árabe-israelense de Baka al-Gharbiyah. Um robô do esquadrão antibomba fez quatro disparos contra a bomba, explodindo-a na principal rua da cidade. A polícia informou que os dois homens presos pertenciam ao grupo militante Jihad Islâmica, que assumiu responsabilidade por muitos atentados durante o atual conflito.Enquanto isso, dois atentados suicidas a bomba na última semana parecem ter feito diminuir o apoio a Sharon, que conquistou uma esmagadora vitória eleitoral em fevereiro prometendo acabar com o levante palestino. Um pesquisa do Gallup publicada no jornal Maariv mostrou que apenas 21% dos israelenses acreditam que ele pode acabar com a violência, enquanto 70% disseram que ele não pode, 9% afirmaram não saber. Numa pesquisa do Gallup no mês passado, 43% acreditavam que Sharon poria fim à violência, e 41% discordavam.O índice de popularidade de Sharon também decaiu, com 49% aprovando seu desempenho como primeiro-ministro, e 42% expressando insatisfação. Na sondagem do mês passado, 59% estavam satisfeitos com ele.Com a violência no Oriente Médio entrando agora no seu 11º mês um crescente número de políticos israelenses fala na possibilidade de Israel tomar medidas unilaterais para se separar dos palestinos. O diário Haaretz escreveu que vários políticos estavam formando um movimento para pressionar pela separação unilateral, entre eles a ministra Dalia Itzik e o ex-ministro Haim Ramon, ambos do moderado Partido Trabalhista, Michael Eitan, do linha dura Partido Likud de Sharon, e Dan Meridor, líder do Partido do Centro.A proposta prevê a construção de uma cerca fronteiriça entre Israel e a Cisjordânia. Atualmente, tropas israelenses controlam barreiras rodoviárias no local, mas a maior parte da divisa é aberta e pode ser cruzada a pé. Tais planos teriam de contemplar a situação dos cerca de 200.000 colonos judeus espalhados pela Cisjordânia.Opositores da proposta dizem que ela significaria entregar grandes partes da Cisjordânia aos palestinos sem um acordo de paz. O ministro da Justiça, Meir Sheetrit, do Partido Likud, afirmou que se opõe à idéia porque "você não pode colocar os assentamentos do outro lado desta cerca num gueto, cada um... guardado por um comando de soldados israelenses".

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