Popularidade de William ameaça ofuscar reinado do pai

Cada vez mais britânicos defendem que o jovem príncipe assuma o lugar de Charles como primeiro na sucessão

Anthony Faiola, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

O príncipe William e Kate Middleton pronunciarão seus votos hoje em uma cerimônia que será vista por quase um terço do planeta. Mas, embora o casamento seja entre um príncipe e sua esposa, outro acontecimento se desenrolará nos bastidores: a história de dois reis.

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A popularidade de William contribui para reinventar a monarquia na Grã-Bretanha e seu casamento cimentará sua imagem de jovem gentil de 28 anos como o rei perfeito do século 21. Entretanto, mesmo que ele seja o futuro da família Windsor, muitos afirmam que ele ofuscará seu pai Charles, muito menos popular e o primeiro na linha de sucessão ao trono.

Segundo analistas, está em jogo o prestígio da monarquia, que durante o reinado de Elizabeth II teve apoio inabalável. Mas, apesar de uma campanha de relativo sucesso para melhorar a imagem de Charles, uma pesquisa realizada na semana passada mostrou que William está mais popular do que nunca - 46% dos britânicos responderam que Charles deveria renunciar, em comparação aos 47% que disseram que não, o maior índice de rejeição a Charles desde a morte de Diana, em 1997.

Os britânicos, provavelmente, terão Charles como rei, gostando ou não. É improvável que a lei de sucessão mude. Embora Elizabeth II tenha um perfil no Facebook e as bodas reais sejam registradas no YouTube, especialistas dizem que a tradição ainda está acima dos caprichos da opinião pública.

No entanto, a grande disparidade de popularidade entre pai e filho pesará sobre o futuro reinado de Charles, que passou os últimos dez anos procurando recuperar o respeito perdido durante a batalha com Diana. Muitos acham que ele se reabilitou e foi aplaudido por defender causas como o ambientalismo, antes que virassem moda.

Mas, ao contrário de William, Charles não conseguiu conquistar o carinho autêntico do público. Uma pesquisa realizada em novembro, por exemplo, mostrou que apenas 38% dos entrevistados disseram que ele "seria um bom rei", em comparação com 69% de William.

No reinado de Elizabeth II, a monarquia manteve a preferência de 75% da nação, número que oscilou pouco nas três últimas décadas. Em relação a Charles, qualquer passo em falso como monarca receberá enorme destaque. Recentemente, Charles, inflexível em suas opiniões, travou uma guerra privada contra a arquitetura moderna, condenando um projeto de vanguarda em um bairro chique de Londres.

O problema é que monarcas britânicos não podem influir nesses temas. "Um rei não pode ser um ativista. Não fica bem", disse Ingrid Seward, diretora da revista Majesty Magazine. A perspectiva de um futuro reinado de William, porém, talvez seja exatamente o que a Casa de Windsor precisa para promover Charles como rei. Assim como o pai, William já era uma celebridade ao nascer. Mas, ao contrário dele, William herdou a popularidade da mãe.

A diferença entre os dois aumenta ainda mais em países da Comunidade Britânica, como Austrália e Canadá, onde já há apelos para mudar a lei que torna o monarca britânico chefe de Estado dessas nações após a morte da rainha. "Não é garantido que todos os países da Comunidade Britânica aplaudam o rei Charles", disse Robert Lacie, biógrafo da realeza.

 

 

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