Tamas Kovacs/MTI via AP
Tamas Kovacs/MTI via AP

Populista Viktor Orban amplia poder na Hungria e obtém terceiro mandato

Premiê expande bancada em eleição com alta participação e deve obter maioria qualificada, suficiente para mudar Constituição

O Estado de S.Paulo

08 Abril 2018 | 21h06

BUDAPESTE - O Partido Nacional Conservador (Fidesz), do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, venceu neste domingo, 8, as eleições gerais e ampliou o domínio no Parlamento, segundo parcial da apuração publicada pelo Escritório Nacional Eleitoral (NVI). Com 81% das urnas apuradas, o Fidesz tinha 49,15% dos votos. Com isso, a legenda aumentaria sua bancada de 114 para 133, de um total de 199 deputados. 

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A tendência é que o líder populista, conhecido por seu discurso xenófobo, obtenha maioria de dois terços, suficiente para alterar a Constituição húngara, como defendeu na campanha. Analistas atribuem à alta participação, de 68%, a ampliação da bancada de Orban. “Esse resultado vai alterar dramaticamente a política húngara nos próximos anos”, disse o analista Tamas Boros, do Think Thank Policy Solutions. 

A oposição, tanto do partido de extrema direita Jobbik, quanto dos socialistas, perdeu força. Líderes de ambas as legendas renunciaram ao cargo após as derrotas. Enquanto o Jobbik terá 26 deputados, os socialistas ficarão com 20. Orban terá ainda mais poder em seu terceiro mandato consecutivo, depois de oito anos nos quais ele já fez algumas alterações profundas na Constituição, ao diminuir o sistema de freios e contrapesos e aumentar a censura à imprensa. 

“O futuro do país está em jogo. Não nos contentamos em eleger os partidos, o governo e o primeiro-ministro, elegemos o futuro do país”, disse Orban, de 54 anos, após ter votado no início da manhã. No fim da noite, ele declarou vitória em um discurso para seus partidários na capital húngara. “A alta participação não deixa dúvida de que foi uma grande vitória”, disse. “Criamos uma oportunidade para protegermos o nosso país.”

Caso confirmada a vantagem de Orban, o Fidesz deve superar o resultado das eleições de 2014, quando teve 41% dos votos. O Fidesz governa em parceria com os democrata-cristãos. 

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Autoritário

 Admirado pelas direitas populistas europeias e criticado pelos que o acusam de deriva autoritária, o primeiro-ministro húngaro quer tornar “irreversíveis” as transformações que impulsionou desde seu retorno ao poder, em 2010, após um primeiro mandato de 1998 a 2002.

Admirador do presidente russo Vladimir Putin e defensor da “democracia não liberal” – como foi chamada nos últimos anos esta mistura de culto ao homem, exaltação nacionalista e limitação de certas liberdades em nome do interesse nacional –, Orban exerce há oito anos um estilo de governo com controle crescente sobre a economia, os meios de comunicação e a Justiça.

A oposição e um grande número de observadores internacionais acredita que essas reformas prejudicam o estado de direito e implicam em um retrocesso dos valores democráticos. Orban também multiplicou os atritos com a União Europeia, em particular sobre a questão da imigração. A UE abriu procedimentos de infração contra o governo de Budapeste em razão de leis que reforçam o controle do poder sobre as organizações da sociedade civil.

Orban é um crítico do bilionário americano de origem húngara George Soros, a quem acusa de defender imigrantes e promover uma “agenda globalista no país”. / AFP,NYT E REUTERS

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