Daniel Bockwoldt/dpa via AP
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Populistas alemães superam partido de Merkel em eleições regionais

CDU (União Democrata Cristã) da chanceler ficou em terceiro lugar na votação em Mecklemburgo-Pomerânia, confirmando uma queda na popularidade da líder, impulsionada por sua política favorável aos imigrantes

O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2016 | 16h39

BERLIM - O partido anti-imigrantes alemão AfD (Alternativa para a Alemanha) ficou em segundo lugar nas eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia, no nordeste do país, com 21% dos votos, atrás apenas do SPD (Partido Social Democrata). O CDU (União Democrata Cristã) da chanceler Angela Merkel ficou na terceira posição, segundo pesquisas de boca de urna realizadas neste domingo, 4.

Os sociais-democratas estavam na liderança, com 30% dos votos, 5 pontos a menos em relação a 2011, enquanto o partido de Merkel aparecia em terceiro lugar, com cerca de 20% dos votos, de acordo com pesquisas das redes públicas ARD e ZDF.

"Deixamos a CDU atrás de nós (...), talvez isso seja inclusive o início do fim para a chanceler Merkel", afirmou Leif-Erik Holm, chefe do partido populista na região da ex-RDA (República Democrática Alemã) comunista.

O AfD faz, desta forma, uma entrada triunfal no Parlamento regional na primeira vez em que participa de eleições nessa região. O partido baseou sua campanha no caos provocado, segundo Holm, pela decisão da chanceler de abrir as portas da Alemanha aos refugiados em 2015.

Embora existam apenas alguns milhares de refugiados em Mecklemburgo, "a política migratória provocou uma grande sensação de insegurança no povo", explicou Frieder Weinhold, candidato da CDU em Wismar, cidade de 42 mil habitantes às margens do Mar Báltico.

"Voto pelo AfD. A principal razão é o tema dos solicitantes de asilo", confirma um aposentado de Ludwig, que não quis se identificar. "Para eles há dinheiro, para os aposentados não", protesta.

Popularidade. A chanceler Merkel, deputada por esta região, vive momentos difíceis. Uma pesquisa divulgada dias antes da votação concedia a ela apenas 44% de confiança para um quarto mandato. Em um comício realizado no sábado neste Estado regional, ela havia advertido para o risco do voto aos populistas, a "essa gente que provoca, mas que nunca fez nada por este Land (Estado federado)”.

A mensagem ainda pesa sobre os eleitores. "Quero reforçar a união contra (a extrema) direita (...) Sobre a AfD só tenho uma coisa a dizer: a irritação conduz a decisões ruins", afirma Ulrike Zschunke, de 31 anos. Na última semana, a chanceler, que está na China para a cúpula do G20, multiplicou esses apelos.

Veja abaixo: Por que a extrema direita está tão forte?

A imprensa reagiu ao novo panorama no país. "Agora a Alemanha tem o que não havia existido desde o fim da guerra (em 1945): um partido de extrema-direita", lamentou o jornal Die Welt.

"Espero um resultado de até 30% para os movimentos (que defendem) a identidade (nacional) como AfD e (o neonazista) NPD, 25% para o primeiro e 5% para o segundo", advertiu Hajo Funke, professor de ciência política da Universidade Livre de Berlim.

Além do tema dos refugiados, a AfD se nutre "das dificuldades do SPD e da CDU de se diferenciar", reconhece Weinhold. "Muitos não se sentem representados", acrescenta. Uma rejeição às elites, aliada à política de austeridade regional, beneficia os populistas, apesar do panorama positivo da economia na região.

Alguns políticos, desamparados diante do êxito dos populistas, culpam diretamente Merkel. A política favorável aos imigrantes "provocou uma cisão na sociedade", afirmou o chefe do governo regional em fim de mandato, Erwin Sellering, do SPD. "O clima na Alemanha mudou maciçamente", disse.

Merkel ainda insiste, no entanto, que o acolhimento dos refugiados era necessário em 2015. Desde os dois ataques cometidos em julho por solicitantes de asilo e reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), a política da chanceler passou a se concentrar mais na questão da segurança. / AFP

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