Fabio Frustaci/ANSA via AP
Fabio Frustaci/ANSA via AP

Populistas tentam deposição do presidente

Líderes denunciam “golpe de Estado” pela decisão de Mattarella de vetar coalizão entre o M5S e a Liga

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 06h00

Indignados com a decisão do presidente Sergio Mattarella de vetar a coalizão entre Movimento 5 Estrelas (M5S) e Liga, líderes populistas denunciaram ontem um “golpe de Estado” e defenderam a destituição do chefe de Estado. A iniciativa foi anunciada pelo líder do M5S, Luigi Di Maio, cujo partido foi o mais votado na eleição de março.

Segundo Di Maio, Mattarella poderia ser julgado pelo Parlamento por crime de “alta traição” e “atentado à Constituição”. “Ao levar essa crise ao Parlamento, evitaremos que ela se espalhe”, disse Di Maio. “Com a Liga, temos a maioria. E a Liga vai se engajar. Ela deve ir até o fim.” O líder da Liga, Matteo Salvini, ainda não se posicionou. Seria necessário a maioria dos votos para o impeachment do presidente.

As chances da iniciativa prosperar, porém, são limitadas. “O recurso que Di Maio tentará não tem nenhuma chance de dar certo. É muito provável que seus idealizadores sejam obrigados a recuar”, afirma Piero Ignazi, cientista político da Universidade de Bolonha.

A opinião é compartilhada por Vera Capperucci, professora da Escola de Governança da Universidade Luiss Guido Carli, de Roma. “Formalmente, o presidente respeitou a Constituição e a acusação de ‘alta traição’ não para em pé”, afirma.

+ Ultradireita denuncia ‘golpe de Estado’ da UE na Itália  

Para os analistas, a aparente derrota dos partidos antissistema frente a Sergio Mattarella pode esconder um argumento perfeito para a campanha eleitoral, na qual eles denunciariam o presidente como o chefe máximo de um sistema político dirigido não por Roma, mas pela União Europeia.

Segundo Vera Capperucci, a vantagem agora está nas mãos de Matteo Salvini e da Liga. “A meu ver, o mais provável é um forte avanço da Liga, como já prognosticaram os institutos de pesquisa”, adverte. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.