Populistas vão para o 2º turno no Equador

Os equatorianos deverão votar num segundo turno escolher entre dois populistas - o ex-coronel Lucio Gutiérrez e o magnata Alvaro Noboa -, os dois candidatos mais votados nas eleições presidenciais de domingo, e cujas posições parecem levar o país a uma polarização política. Gutiérrez obteve um surpreendente primeiro lugar com 20% dos votos, seguido de Noboa, com 17%. Em terceiro ficou o socialista León Roldós, com 15%, depois de contados 62% dos votos. Em inesperadas posições secundárias ficaram o ex-presidente Rodrigo Borja, o direitista Xavier Neira e o populista Jacobo Bucaram, representantes dos principais partidos: Esquerda Democrática, Social-Cristão e Roldosista, respectivamente. Gutiérrez é identificado com setores de esquerda, com sindicalistas e com indígenas, enquanto que Noboa, o homem mais rico do Equador, tem seus vínculos com empresários e milionários, tanto do país como do estrangeiro. Taxado de comunista, Gutiérrez disse hoje que esse qualificativo "não me importa", e reiterou sua admiração pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.Reagindo aos comentários de que sua vitória foi uma surpresa da urnas, o ex-coronel disse que as pesquisas "erraram", já que "não conseguiram medir certos setores onde estava a força de Lucio Gutiérrez". Afirmou ser "um ex-militar e, em conseqüência, não tenho formação ideológica, nem doutrima política. Para mim, a única ideologia é o meu país, é o povo equatoriano", disse.E completou: "Eu quero romper esses paradigmas que dividiram os equatorianos, uns à direita e outros à esquerda". Rejeitou as versões da imprensa estrangeira que desde o ano passado disseram que Chávez lhe teria dado US$ 500 mil para a campanha eleitoral, e desmentiu ter vínculos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Por sua vez, Noboa - fundador do Partido Renovador Institucional Ação Nacional, o Prian, com o qual concorreu à presidência - desenvolveu uma campanha de tom nitidamente populista; em seus discursos, ele ofereceu empregos e a chegada de vultosos investimentos ao país graças a seus contatos com milionários estrangeiros. O analista Simon Espinosa disse que as candidaturas de ambos os finalistas, "em princípio, abrirão uma brecha". "Vão polarizar o país, tanto pela procedência regional como pelo tipo de campanha do senhor Noboa, identificando o coronel Gutiérrez com o comunismo, com Fidel Castro, com Hugo Chávez e com o maoísmo", disse o analista à Associated Press. A alusão à questão regional se refere ao fato de que Gutiérrez é originário do interior, enquanto que Noboa é litorâneo, em um país fortemente regionalista. O analista e ex-chanceler Benjamín Ortiz disse que se avizinham "grandes espaços de incerteza que têm de ser esclarecidos na campanha". "Se o Equador mudou de atores nas figuras políticas presidenciais, não mudou de atores no Congresso, onde estarão repressentadas as grandes forças políticas tradicionais", explicou, em um comentário na televisão. Advertiu que "os pronunciamentos dos dois candidatos não se referiram diretamente à economia do país, que está em uma fase muito frágil, com a desconfiança que podem despertar em setores de investimentos externos os dois candidatos". O sindicalista Fausto Dután assegurou que os resultados demonstram que "os grandes derrotados são os partidos tradicionais". Convocou à responsabilidade política "todos os setores, porque não é momento de criar pânico em caso de triunfo de qualquer dos dois". Em sua primeira página, o jornal La Hora exibiu a manchete: "Triunfa o populismo", e comentou que esta votação demonstrou que a população "já não aceita ... os partidos tradicionais que se revezaram na direção do poder no país".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.