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Por boa relação com EUA, China quer se distanciar de caso Snowden

Ex-técnico da CIA que revelou monitoramento de telefonemas e internet está foragido em Hong Kong

O Estado de S. Paulo,

13 Junho 2013 | 12h07

A China evitou nesta quinta-feira ,13, comentar diretamente as revelações sobre o programa secreto de vigilância eletrônica dos EUA e sobre americano Edward Snowden, que se refugiou em Hong Kong após trazer as informações à tona. Segundo uma fonte graduada, o maior interesse de Pequim no momento é não pôr a perder a recente melhora nas relações com Washington.

A China está em feriado prolongado desde que Edward Snowden, ex-prestador de serviços na Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), revelou aos jornais The Guardian e The Washington Post a existência dos programas que monitoram contatos telefônicos e comunicações via internet de milhões de pessoas.

Em entrevista publicada na quarta-feira pelo jornal South China Morning Post, de Hong Kong, Snowden disse que há anos o governo dos EUA viola redes de computadores no território e no resto da China.

"Já vimos as reportagens relevantes, mas lamento não ter informação para lhe dar sobre isso", disse Hua Chunying, porta-voz da chancelaria, na primeira reação oficial da China a perguntas sobre o caso.

"A China não irá adotar uma posição definida por enquanto", disse uma fonte que mantém laços com a liderança chinesa, lembrando que os presidentes dos dois países mantiveram uma reunião de cúpula bem sucedida há menos de duas semanas. "A China não se envolverá a esta altura, e irá esperar as coisas se desenvolverem. Pequim provavelmente evitará usar palavras duras contra os Estados Unidos agora. Os americanos e o resto do mundo já estão criticando os Estados Unidos."

A porta-voz Hua tampouco quis comentar um possível pedido de extradição dos EUA contra Snowden, ou uma eventual decisão do denunciante para solicitar asilo em Hong Kong - território que goza de alto grau de autonomia, mas que responde a Pequim em questões diplomáticas. A segurança cibernética é motivo de constantes atritos entre a China e os EUA, e foi um dos principais itens na pauta do encontro da semana passada entre os presidentes Xi Jinping e Barack Obama.

Hua não comentou diretamente as acusações, repetindo a habitual posição chinesa de que o país é uma das maiores vítimas dos hackers internacionais. Ela observou ainda que Pequim e Washington concordaram em discutir a questão. Mas observou: "Na questão da segurança na internet, acreditamos que ter dois pesos e duas medidas não ajuda a encontrar uma resolução apropriada".

O paradeiro do ex-técnico da CIA é desconhecido no enclave autônomo. Snowden disse ao jornal que quer permanecer em Hong Kong e lutar contra qualquer solicitação de extradição por parte dos EUA.

A ilha tem um tratado de extradição com os Estados Unidos, mas até o momento o governo americano não apresentou acusações contra o antigo analista da Agência Nacional de Segurança (NSA). Na entrevista, Snowden afirmou que a "NSA realizou mais de 61.000 operações de ciberataques globais, com centenas de objetivos em Hong Kong e na China". / REUTERS e EFE

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