Por carta, Milosevic afirmou que estava sendo envenenado

O assessor jurídico da família de Slobodan Milosevic, Zdenko Tomanovic, reiterou neste domingo, 12, que o falecido ex- presidente iugoslavo lhe advertiu na última sexta-feira de que estavam tentando envenená-lo na prisão do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) e que também o queriam "silenciar". Tomanovic declarou em entrevista coletiva em Haia que Milosevic enviou uma carta na sexta-feira à embaixada da Rússia na Holanda na qual pedia ajuda e afirmava que lhe estavam ministrando uma potente droga indicada para casos de lepra e tuberculose. Segundo a carta, essa substância foi encontrada em seu sangue em um exame feito em 12 de janeiro por um laboratório holandês, do qual tinha recebido os resultados em 7 de março. Em sua carta, Milosevic afirmou que jamais tinha tomado esses remédios por não padecer dessas doenças. Tomanovic declarou que Milosevic denunciava, em seu texto, "as atividades criminosas ocorridas nessa instituição da ONU". O advogado sérvio não quis especular sobre quem tinha interesse em silenciar Milosevic, que estava sendo julgado desde fevereiro de 2002 acusado de 66 acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e de guerra cometidos na Croácia, Bósnia e Kosovo. Autópsia Tomanovic também reiterou que a família de Milosevic se opõe a que a autópsia seja feita na Holanda e quer que seu corpo seja enviado a Moscou para ser analisado por legistas russos. Milosevic apareceu morto em sua cama na manhã deste sábado em sua cela do centro de detenção do TPII em Scheveningen (Haia), sem sinais aparentes de violência ou de que se tivesse se suicidado, segundo fontes do TPII. O presidente do TPII, o juiz Fausto Pocar, declarou hoje que perante a incapacidade dos médicos de determinar a causa da morte, tinha ordenado uma autópsia e uma investigação minuciosas. A autópsia será feita hoje por legistas holandeses na presença de especialistas sérvios e, segundo a promotora-chefe do TPII, Carla del Ponte, os resultados devem ser conhecidos entre hoje e amanhã.

Agencia Estado,

12 Março 2006 | 13h42

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