Sajjad HUSSAIN / AFP
Sajjad HUSSAIN / AFP

Por causa de estigma social, Índia para de exibir avisos nas casas de infectados pela covid-19

No início, durante o surto na capital indiana, as autoridades colavam um pôster nas casas das pessoas em quarentena depois de apresentarem teste positivo para a doença

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2020 | 08h03

NOVA DÉLHI (Reuters) - As autoridades da Índia pararam de colocar avisos na parte externa das casas de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, pois isso ampliou o estigma social associado à doença e, por sua vez, fez com que outras pessoas escondessem sua doença, disseram autoridades nesta segunda-feira, 12.

No início, durante o surto na capital indiana, as autoridades colavam um pôster nas casas das pessoas em quarentena depois de apresentarem teste positivo para a covid-19, para garantir que todos na vizinhança fossem cuidadosos. Também dissuadiu as pessoas de violar a quarentena.

Porém, depois de seis meses de pandemia, as pessoas estavam totalmente cientes da doença respiratória causada pelo vírus, e havia menos necessidade de divulgar os casos, disseram autoridades municipais. Em vez disso, era importante inspirar confiança nas pessoas para se apresentarem e se testarem.

“Há um estigma com o novo coronavírus e cartazes fora de casa amplificam isso. Ao acabar com isso, nosso objetivo é aumentar os testes. Queremos que mais pessoas façam o teste sem pensar em estigmas”, disse o ministro do Meio Ambiente de Delhi, Kailash Gehlot.

O total de casos na Índia está em 7,12 milhões, mostraram os últimos dados do Ministério da Saúde, atrás apenas dos Estados Unidos, que está se aproximando da marca de 8 milhões.

O país registrou 66.732 novas infecções nas últimas 24 horas, um declínio em relação aos máximos do mês passado, mas ainda assim o maior aumento diário do mundo.

Mortes por infecções da covid-19 aumentaram em 816 por dia, subindo o total para 109.150, disse o Ministério da Saúde.

Délhi representa pouco mais de 4% do número total de casos da Índia, o segundo maior depois da cidade de Pune, no oeste, e à frente de Mumbai e Bengaluru.

Alguns residentes em Délhi disseram que era tamanho o medo da doença que as pessoas tentavam se distanciar dos pacientes mesmo depois de se recuperarem.

“A discriminação é generalizada, colocar cartazes aumenta o problema”, disse o Dr. Jugal Kishore, que chefia o departamento de medicamentos comunitários no hospital Safdarjang de Délhi.

Outros estados como Uttar Pradesh, o mais populoso, também pararam de divulgar casos no bairro. Mas a prática continua prevalente em Mumbai, disseram os residentes. / Reuters

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