"Por favor, não nos abandone", diz iraquiano à ONU

Na última cerimônia em homenagem à Sérgio Vieira de Mello organizada ontem, em Genebra, a ONU recebeu um apelo emocionante de um dos principais politicos do novo governo do Iraque, Adnan Pachachi. "Por favor, não nos deixe sós. Não nos abandone", pediu o membro no Conselho de Governo do Iraque, que não conteve suas lágrimas em seu discurso. A cerimônia foi realizada na sede da ONU e mais de mil pessoas foram prestar sua homenagem às vítimas do atentado contra a sede da organização, no ultimo dia 19 em Bagdá.Mas o político iraquiano que percorre o mundo em busca de apoio ao governo de Bagdá provisório roubou a atenção com seu apelo, praticamente desesperado. Segundo ele, o processo político no Iraque para a construção de um país soberano poderia ser facilitado se fosse dado à ONU um papel central no processo. "A ONU precisa estar no centro das decisões no Iraque", afirmou.Pachachi, um dos 25 membros do Conselho de Governo do Iraque, conta que Sérgio Vieira de Mello queria ver seu país soberano. "Esse era seu sonho e melhor homenagem que podemos fazer a ele é garantir que o Iraque se torne um país independente e democrático", afirmou. SucessoO ministro das Relações Exteriores do Timor Leste, José Ramos Horta, também esteve prestando mais uma vez sua homenagem ao brasileiro Vieira de Mello. Em entrevista à Agência Estado, o líder timorense garantiu que, enquanto a ONU não tiver um papel mais forte em Bagdá, as chances de que a reconstrução do Iraque ocorra são mínimas. "No Timor, o sucesso do processo de criação do país ocorreu porque foi conduzido pela ONU", afirmou.Para Ramos Horta, os Estados Unidos tiveram "coragem" em derrubar o regime de Saddam Hussein, no Iraque. Mas agora precisam ter a "humildade" e "inteligência" de deixar o processo de recontrução do país nas mãos da ONU. "A Organização das Nações Unidas é a única entidade neutra no mundo que pode cumprir essa missão", afirmou. Além do político iraquiano e de Ramos Horta, o evento de ontem na sede da ONU ainda teve a participação da família de Sérgio Vieira de Mello, do ex-ministro da Saúde da França, Bernard Kouchner, do embaixador do Brasil em Genebra, Luiz Felipe de Seixas Correa, autoridades suíças e de outros colegas do diplomata morto em Bagdá.

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