REUTERS/Navesh Chitrakar
REUTERS/Navesh Chitrakar

Por geopolítica, China e Índia disputam auxílio

Ambos tentam ganhar influência em um território considerado estratégico tanto para Pequim como para Nova Délhi

Jamil Chade - CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2015 | 19h30

Nas reuniões fechadas da ONU para tratar da crise humana provocada pelo terremoto no Nepal, diplomatas indianos e chineses travam uma disputa paralela sobre quem anuncia a maior operação de ajuda ao país vizinho. Nas ruas de Katmandu, as equipes chinesas e indianas chegam a trombar, no anseio de sair ao resgate de vidas. 

O interesse da China e da Índia pelo pequeno país no topo do mundo não ocorre por acaso. Ambos tentam ganhar influência em um território considerado estratégico tanto para Pequim como para Nova Délhi. 

O Nepal possui um terço das montanhas do Himalaia e dali os rios garantem o abastecimento para os dois países mais populosos do mundo. Estado-tampão entre as ambições chinesas e indianas, o Nepal também é fundamental para a nova rota da seda que o governo de Pequim quer estabelecer para ligar a Ásia até a Europa. 

Segundo fontes na agência de coordenação humanitária da ONU, a Índia foi o primeiro país a responder aos pedidos de ajuda e, quatro horas depois do terremoto, já enviava uma equipe. No dia seguinte, mais 280 funcionários e especialistas indianos foram despachados, além de uma dúzia de aviões e helicópteros. 

“A Índia fará todo o esforço para secar as lágrimas de cada pessoa no Nepal, segurar suas mãos e estar ao lado deles”, declarou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. 

O presidente da China, Xi Jinping, não perdeu tempo e prometeu oferecer toda a ajuda necessária. Um dia depois do terremoto, 62 especialistas chineses desembarcaram no Nepal levando carregamentos de geradores, tendas, equipamento para a purificação de água e remédios. A promessa inicial da China foi uma ajuda imediata de US$ 3 milhões, três vezes o oferecido inicialmente pelos EUA, que subiram o valor para US$ 10 milhões. 

Segundo as Nações Unidas, o custo da reconstrução pode ser equivalente a 20% do PIB do país. A entidade fez um apelo por US$ 400 milhões em doações. Boa parte desse dinheiro deve ter procedência chinesa e indiana. 

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