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REUTERS/Leonhard Foeger
REUTERS/Leonhard Foeger

Por pacto nuclear, Irã quer fim de embargo de armas

Exigência ganha força nas últimas horas do diálogo sobre o programa nuclear iraniano, cujo prazo expira amanhã

O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2015 | 19h59

VIENA - Com as negociações sobre o programa nuclear do Irã entrando em suas últimas horas antes de expirar o prazo de amanhã, um diplomata iraniano disse que Teerã demandava nesta segunda-feira, 6, que todas as sanções da ONU contra o país – incluindo a proibição para importação e exportação de armas convencionais – fossem levantadas como parte de um acordo. 

Hoje, chegaram a Viena todos os ministros das Relações Exteriores dos sete países que negociam o acordo definitivo para assegurar que o programa nuclear não tenha finalidade militar. A exigência de Teerã era um dos pontos finais para o texto, elaborado pelas cinco potências nucleares e membros permanentes do Conselho de Segurança – EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China – mais a Alemanha. 

A questão das armas convencionais não é nova. Ela tem surgido de tempos em tempos, enquanto os principais argumentos – como o prazo para o levantamento das sanções e o tipo de pesquisa que o Irã poderá conduzir – são discutidos. No entanto, como moeda de troca, o tema ganhou peso e chegou como uma questão importante no fim da negociação, dedicado mais às questões políticas do que às técnicas. 

Representantes americanos e europeus demonstraram oposição a qualquer alívio do embargo. O argumento deles é de que o fim da proibição apenas colocaria mais combustível nos conflitos no Iraque e na Síria, assim como no Iêmen e no Líbano, com o Irã com mais capacidade de armar milícias xiitas.

Por outro lado, Rússia e China, que sempre defenderam a venda de armas para o Irã, têm pressionado silenciosamente pelo alívio dessa proibição, segundo fontes americanas. 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamed Javad Zarif, declarou hoje que “algumas diferenças ainda persistem”. “Ainda nada está claro. Estamos tentando e trabalhando duro”, disse Zarif.

O secretário de Estado americano, John Kerry, e seu time de negociadores têm tentado fazer com que o acordo seja concluído amanhã ou, no máximo, na quarta-feira, para que ele seja apresentado ao Congresso americano na quinta-feira. Se a negociação for concluída após essa data, o período de revisão do Congresso passa de 30 para 60 dias em razão do longo recesso de verão pelo qual passará a política americana. 

Kerry, líder da negociação do grupo internacional, advertiu no domingo que nunca se esteve tão perto de um acordo, mas ainda faltavam decisões importantes. “Se decisões difíceis forem tomadas nos próximos dias, e se forem tomadas rapidamente, ainda poderemos fechar um acordo nesta semana. Mas, se isso não acontecer, não o teremos”, disse Kerry.

Hoje, mais cedo, a Casa Branca não descartou a hipótese de as negociações continuarem depois do prazo. “Eu diria que é muito possível”, disse o porta-voz da presidência americana, Josh Earnest, sobre uma possível prorrogação.

Vídeo: O que Obama diria aos iranianos

O acordo definitivo tem como base o pacto provisório obtido em abril, na Suíça, em um processo que também não obedeceu os prazos. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, o último a se incorporar à negociação hoje, garantiu que houve progressos. “Há ainda vários assuntos pendentes, mas pensamos que podem ser encontradas soluções aceitáveis para esses temas”, declarou.

Fontes em Viena asseguraram que um acordo já estaria redigido e teria 20 páginas com outras 60 em cinco diferentes anexos técnicos. Por outro lado, uma fonte da delegação alemã garantiu que “não haverá um acordo a qualquer preço”. / NYT e EFE 

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